Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 10/01/2021

Reações alérgicas,dependência química,intoxicação.Esses são alguns dos riscos provocados pela automedicação.Ao analisar o consumo autônomo de medicamentos no Brasil atual, verifica-se que a prática está enraizada na sociedade, sendo causada, dentre vários motivos, pelo sucateamento do Sistema público de Saúde, além da força da indústria farmacêutica.

Nesse contexto, convém ressaltar, a princípio, que a pouca efetividade das ações governamentais em assistir a população favorece um quadro deletério, uma vez que o sistema público de Saúde se encontra defasado e não consegue atender uma grande demanda.Dessa forma,confirma-se a teoria do Monstro Macrocéfalo, do historiador Raymundo Faoro, o qual afirma que o poder Legislativo se encontra repleto de leis que, entretanto, não funcionam devido ao colapso dos demais âmbitos.Por consequência, determinada ineficácia impulsiona a prática da automedicação, já que, devido a ineficiência do serviço, a população prefere recorrer a uma solução mais rápida.Tais fatos evidenciam não apenas a necessidade de urgência de mudança desse cenário, mas também a negligência governamental em prover qualidade de vida.

Outrossim,vale salientar que a força da indústria farmacêutica agrava a problemática, visto que estimula o consumo insconciente de medicamentos, promovendo produtos como soluções milagrosas. Somado a isso, a venda de maneira indiscriminada e sem restrições de fármacos torna o remédio em um fruto da indústria cultural.Sendo,portanto, como explicado pelo sociólogo Theodor Adorno, um resultado da transformação das manifestações culturais em mercadorias.Assim,ressalva-se a importância de mecanismos que promovam um maior controle no acesso de fármacos

Diante do exposto, urge que medidas mais eficazes sejam efetivadas para mitigar os riscos da automedicação no Brasil.Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, aliado às esferas estaduais e municipais, não apenas aumentar a contratação de uma equipe de assistência(médicos,psicólogos,enfermeiras etc), mediante a realização de concursos públicos, como também de investir na construção de unidades de saúde modernas,onde possa haver o diagnóstico e orientação adequada.Concomitantemente, é essencial a criação de leis pelo poder Legislativo que aumentem a restrição no consumo de medicamentos , de modo que seja necessário a prescrição médica ,ademais, é de suma importância uma maior fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) nas farmácias,garantindo o controle fundamental.