Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 10/01/2021
Durante boa parte da história, o acesso aos serviços de saúde era um privilégio da aristocracia. No entanto, a implantação do Sistema Único de Saúde(SUS) no Brasil, em conjunto com os avanços da ciência e tecnologia, possibiliaram a extensão dessa realidade para as populações mais vulneráveis. Entretanto, imbrólgios tangentes à informação da população e lacunas no SUS contribuem para a prática da automedicação. Portanto, tendo em vista que tal atitude é prejudicial para o organismo, é necessário discuti-la em âmbito coletivo.
Em primeira análise, é importante pontuar que os medicamentos são capazes de ocasionar diversos efeitos colaterais em seus consumidores, ainda que tenham sido prescritos por um médico. Logo, o uso dessas substâncias sem orientação de um profissional capacitado pode implicar no seu uso incorreto e, em consequência, na manifestação de problemas mais sérios, como o agravamento do quadro clínico. Segundo a SINTOX, em 2003, 23% dos casos de intoxicação registrados foram em decorrência da automedicação. Desse modo, é evidente que essa conjuntura representa um risco para o organismo.
Além disso, segundo a filosofia de Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir saúde e bem-estar social. Entretanto, embora o SUS tenha aproximado as pessoas mais pobres dos hospitais, clínicas e profissionais da área, o serviço oferecido é, muitas vezes, desanimador, haja vista a longa fila de espera para marcação de consultas e exames. Nesse contexto, a população, já conhecedora do cenário, prefere recorrer à automedicação, opção que aparenta ser mais prática e eficaz.
Ademais, entra em questão a facilidade de acesso aos medicamentos pelo contigente demográfico. É indubtável que a disseminação de informações sobre as diversas terapias e doenças encontradas no âmbito virtual colaboram para a educação dos indivíduos. Contudo, é frequente que o conhecimento adquirido seja usado de modo errôneo, no qual as pessoas utilizam suas próprias interpretações para o autodiagnóstico e a automedicação. Somado a isso, a facilidade de aquisição desses insumos em farmácias clandestinas, que os comercializam sem nenhuma restrição, é outro fator contribuente para a recorrência desse problema de saúde pública e seus efeitos na sociedade.
Portanto, para reverter esse quadro, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as prefeituras dos municípios, ampliar sua rede de assistência de saúde e esclarecer sobre os prejuízos da automedicação. Para isso, devem ser construídos novas Unidades Básicas de Saúde(UBS) e hospitais de prontoatendimento e contratados mais profissionais qualificados, como farmacêuticos e médicos. Por meio disso, a população terá mais acesso ao medicamento e suas devidas orintações de forma adequada, segura e eficaz.