Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 11/01/2021
Durante boa parte da história, o acesso aos serviços de saúde era um privilégio da aristocracia. No entanto, a implantação do Sistema Único de Saúde(SUS) no Brasil, em conjunto com os avanços da ciência e tecnologia, possibiliaram a extensão dessa realidade para as populações mais vulneráveis. Entretanto, imbróglios tangentes às lacunas no SUS e falhas de fiscalização das farmácias contribuem para a prática da automedicação. Logo, tendo em vista os efeitos danosos de tal atitude, é necessário levantar debates sobre o tema em âmbito coletivo.
Em primeira análise, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir saúde e bem-estar social. É indubitável que o SUS aproximou os indivíduos mais pobres da assistência médica e profissionais da área. Entretanto, as lacunas nele existentes, como a superlotação dos hospitais, longas filas de espera para marcação de consultas e precarização das unidades de saúde, atuam como entraves para a efetivação dessa tão importante conquista cidadã. A partir disso, a população necessitada, já conhecedora desse cenário desanimador, recorre à automedicação como ferramenta imediata para alívio de seus sintomas.
Em contrapatida, é notório que o uso irracional de medicamentos, comum na automedicação, pode ocasionar em prejuízos sérios para o consumidor. Segundo a SINTOX, em 2003, 23% dos casos de intoxicação registrados estavam relacionados ao consumo incorreto de fármacos por conta própria. Essa contuda, além do risco toxocológico, pode gerar a piora quadro clínico, desenvolvimento de outras patologias e, até mesmo, a seleção de bactérias resistentes. Em razão disso, é essencial que seja feito uso correto e consciente do medicamento, pautado na prescrição médica e orientações profissionais.
Ademais, entra em questão a facilidade da compra e venda de medicamentos. Apesar da vigência de legislações pontuais sobre a comercialização desses produtos em farmácias e drogarias, a ausência de uma fiscalização efetiva permite a existência recorrente de estabelecimentos que não cumprem as normas regulamentadoras. Esse contexto é alarmante, pois viabiliza a automedicação no Brasil.
Portanto, é necessário mediar a problemática da automedicação no Brasil. Sendo assim, cabe ao Estado, em conjunto com o Ministério da Saúde, ampliar os serviços de saúde oferecidos, para que eles estejam mais acessíveis a toda a população, especialmente a sua parcela mais vulnerável. Para isso, deve investir na contrução de novas unidades de saúde e na contratação de mais profissionais qualificados da área, a fim de reduzir as filas de espera da marcação de consultas e desafogar os hospitais. Desse modo, as pessoas terão mais acesso à orientação médica e farmacêutica e, em consequência, poderão consumir os medicamentos de forma mais adequada, segura e eficaz.