Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 11/01/2021
Em seu livro “Utopia”, Thomas More imagina uma sociedade esclarecida, em que todos são capazes de participar ativamente de um processo transformador de conscientização. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne à saúde pública, o Brasil está distante do ideal de More, pois o país ignora medidas que, potencialmente, minimizariam a automedicação em escala nacional. Assim sendo, faz-se mister desvendar as origens legislativas e analisar as consequências constitucionais dessa problemática, a fim de propor caminhos para combatê-la.
Em primeira instância, é fulcral ressaltar a insuficiência legislativa como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem a função de preservar o bem-estar coletivo entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a falta de atuação estatal acerca da criação de leis que coíbam a autoprescrição no território nacional - proibindo a propaganda de remédios e de terapias, por exemplo - permite que os riscos da automedicação sejam uma realidade contundente no país. Logo, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.
Ademais, convém salientar que o consumo indiscriminado de medicamentos traz graves consequências à saúde da população. Nessa lógica, indivíduos que utilizam um remédio sem prescrição médica podem encarar desafios nocivos, como reações alérgicas e quadros graves de intoxicação, fenômenos que estão em desacordo com os preceitos da Carta Magna brasileira. Conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito à saúde, o que destoa da realidade do Brasil, uma vez que, de acordo com o site de notícias G1, uma em cada nove pessoas sofre de repercussões relacionadas à autoprescrição no país. Portanto, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse problema, de modo a cumprir a Lei Maior.
Assim, para combater a automedicação no Brasil, o Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, deve criar novas leis. Tal efeito pode ser alcançado por meio de um plano intitulado “Autoprescrição Zero“, tendo como objetivo proibir a propaganda de remédios e de terapias, o que asseguraria o uso de medicações apenas quando prescritas pelo médico, e, consequentemente, garantiria a saúde pública em escala nacional. Dessa forma, criar-se-á uma sociedade esclarecida, tal qual ocorre no ideal de More.