Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/01/2021

A cientista polonesa Marie Curie afirma que, para melhorar o mundo,é preciso,primeiramente,melhorar os indivíduos.Sob essa perspectiva,infere-se acerca da existência da cultura de automedicação que é prejudicial à saúde e,só será modificada com a conscientização de cada cidadão sobre os males desse hábito.Nesse sentido,observa-se a precariedade do sistema público de saúde e a negligência social como fatores propulsores desse costume de medicar-se por conta própria.

Nesse viés,entende-se que é direito de todos os cidadãos terem acesso à saúde, segundo o Artigo 196 da Constituição Federal.No entanto,na prática isso não ocorre.Isso porque,os hospitais públicos encontram-se,infelizmente,em condições precárias e não conseguem atender à todos com qualidade,devido à falta de verbas governamentais.Sendo assim,a automedicação é utilizada como um recurso prático,por não precisarem buscar atendimento médico.Prova disso,encontra-se na pesquisa da OMS,no qual 70% dos brasileiros assumiram já ter tomado remédio por conta própria.Logo,esse dado demonstra o quanto esse hábito tem sido internalizada,em parte,pela facilidade de compra de alguns remédios e a dificuldade de ter acesso às consultas,principalmente,nas classes sociais mais pobres.

Em consonância à discussão abordada,é fundamental a compreensão de que uma cultura é naturalizada,desde a tenra idade,de modo coercitivo e pouco reflexivo.Com isso,nota-se o costume da automedicação tem sido passado ao longo das gerações como algo comum e rotineiro e isso apresenta riscos.Segundo o famoso médico Drauzio Varella,comprar remédios sem receita médica é danoso ao organismo,visto que pode ocasionar intoxicação,dependência e resistência.Desse modo,infere-se a ausência de criticidade da população sobre esses perigos.Ademais,as indústrias farmacêuticas tem lucrado, ao exiberem produtos de fácil acesso,sem divulgar explicitamente os riscos da automedicação.

Entende-se,portanto,que urge do Estado,na figura do Ministério da Saúde,promover uma fiscalização rígida das vendas de medicamentos,com a exigência da exposição dos danos do consumo sem recomendação médica.Assim como também, a destinação de verbas para melhoria da atendimento de saúde público.Ademais,urge da própria sociedade civil promover o estímulo à procura de médicos,em caso de dores e mal-estar,por meio da divulgação de vídeos,textos e charges nas redes sociais,com intuito de estimular a capacidade crítica dos indivíduos e ,consequentemente,inibir a cultura de automedicação.A título de exemplo,da medica supracitada anteriormente,tem-se a página virtua ‘‘Quebrando Tabu’’ o qual propõe debates sobre os riscos de automedicar-se, ato que promove mudanças nos hábitos e valores culturais do tecido social vigente, a fim de garantir o bem-estar coletivo, , cidadania e dignidade.