Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/01/2021

A Constituição Federal, em seu artigo 6º, assegura a saúde como um direito social a todos os cidadãos. Contudo, esse documento é ferido com os casos de automedicação no Brasil, os quais acarretam diversas complicações, como dependência química, agravamento de doenças e, em alguns casos, a morte. Desse modo, essa problemática é impulsionada pela falta de informações por parte da população, já que usam a internet para pesquisar sintomas e tratamentos, e por a inoperância do sistema de saúde pública, o qual sofre com a negligência e ausência de fiscalização, que facilita compra de remédios sem prescrição médica. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar da frase do filósofo Platão no livro A República, a qual diz “Absortos, silenciosos, observando as sombras da caverna como se fossem de fato a realidade”. Essa sentença, assemelha-se à negação da comunidade em enxergar a gravidade da cibercondria, haja vista que, munida com a internet, e tendo ajuda do “Dr. Google”, pesquisa doenças e remédios relacionados aos seus sintomas e, sem aparatos medicinais, fazem uso dessas medicações e tratamentos, podendo acarretar complicações oriundas dessas profilaxias. Posto isso, na série norte-americana Dr. House, o médico Gregory House elabora relatórios sobre como a automedicação afeta os diagnóstico e tratamentos às patologias, mostrando que a obra não se restringe apenas à ficção, já que, por muitas vezes, é um espelho da sociedade brasileira.

Outrossim, a filósofa Hannah Arendt, em seu arcabouço de banalidade do mal, afirma que o Estado negligencia situações problemáticas na sociedade. De maneira análoga, essa teoria reflete o cenário do sistema público de saúde, de modo que, sem verbas e apoio adequados, não conta com profissionais e atendimentos eficientes, fatores esses contribuintes para a cibercondria, e que, aliada a fiscalizações ineficazes, oportuniza a compra de medicamentos, deixando os envolvidos suscetíveis a diversas patologias. Segundo pesquisa feita pelo Datafolha em 2019, mais de 77% dos brasileiros têm o ato de se automedicar, evidenciando que quando a falta de bem-estar e fiscalização são regras, a ação estatal é exceção.

Por conseguinte, compete ao Ministério da saúde, em parceria com a mídia, a divulgação de campanhas, no rádio e televisão, que alerte sobre a busca de sintomas na internet e informe os problemas que uma medicação precoce pode acarretar, a fim de mudar os hábitos e orientar o corpo civil. Do mesmo modo, o Governo Federal, com ações periódicas, deve intensificar as ações de combate à venda de remédios sem prescrição, autuando e multando estabelecimentos envolvidos. E só assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir os casos de automedicação e cibercondria.