Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/01/2021

O documentário “Take Your Pills” apresenta a história de jovens que se automedicam com remédios para a otimização do foco, e como esse ato que inicialmente servia para ajudar, resultou em um vício. Infelizmente, a realidade brasileira não destoa das telas, tendo em vista o quão comum é a automedicação no país. Automedicação essa, que é perigosa pelo descontrole e a falta de informações acerca do tema.

Em primeiro plano, é digno mencionar que a automedicação se torna perigosa pela falta de responsabilidade. De acordo com a teoria da Modernidade Líquida de Bauman, atualmente as relações são pautadas pela fluidez e inconstância, resultando em atos inconsequentes e que não são pensados à longo prazo. De maneira análoga, nota-se que o alto índice de automedicação pode ser relacionado com a necessidade de alívio instantâneo e a despreocupação com as consequências. Logo, um ato que pode ser nocivo à saúde, se torna normal e sem impactos reais, o que pode acarretar em sérios problemas, como o vício.

Ademais, é cabível ressaltar que a escassez de informações e educação sobre o tema apenas agrava a situação. Segundo dados da Abifarma, 20 mil pessoas são mortas por ano pelo uso sem responsabilidade da automedicação. Contudo, a situação mesmo sendo alarmante, não é divulgada de maneira acessível pelas mídias e a educação nas escolas sobre o tema é ínfima, o que prejudica o enfrentamento dos riscos da automedicação. Assim sendo, enquanto não houver uma distribuição eficiente de informações sobre o assunto, tampouco o problema será solucionado.

Portanto, o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, deve propor, por meio de um projeto de lei, a implementação de projetos educacionais no ensino básico sobre os perigos da automedicação. Tais projetos devem contar com profissionais da área da saúde e integrar toda a comunidade com projetos extracurriculares, com o fito de informar sobre o tema e combater os riscos da automedicação.