Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 15/01/2021

O seriado norte-americano “Dr. House” traz à tona muitos questionamentos acerca do uso indiscriminado de medicamentos. Infelizmente, no Brasil, a automedicação é recorrente, visto que quase metade dos brasileiros faz uso de remédios sem orientação médica pelo menos uma vez por mês. Isso ocorre devido à quantidade de informações disponíveis na internet a respeito de medicamentos e tratamentos, assim como o difícil acesso a médicos por parte da população; acarreta desde intoxicações até a morte.

Releva-se abordar, primeiramente, que com o advento da internet e a crescente variedade de informações, médicos e profissionais da saúde deparam-se com uma doença da era digital: a cibercondria, ou “síndrome da pesquisa na internet”. Essa situação faz com que aumente a preocupação das pessoas com os sintomas, baseado em resultados encontrados em buscas na internet. Como consequência do fácil acesso a esses materiais, há intensificação da automedicação e da compra de remédios sem prescrição e examinação de um médico habilitado. Dessa forma, torna-se necessária a conscientização os indivíduos acerca dos perigos que correm ao ingerir medicamentos indevidamente.

Paralelo a isso, faz-se importante salientar que certas massas da população sofrem com desigualdades no acesso à saúde e suas visitas aos médios são limitados ou até inexistentes, e automedicar-se permanece a alternativa mais viável para mascarar os sintomas e promover uma “falsa” melhora. Essas dinâmicas podem causar intoxicações e alergias, o desconhecimento acerca da combinação de medicamentos pode fazer com que os efeitos se anulem ¬e, com antibiótico, o uso incorreto pode resultar no desenvolvimento de bactérias mais resistentes. Com isso, para promover maior acessibilidade a consultas médicas, precisa-se melhorar a saúde pública, uma vez que cerca de 70% do povo não tem plano de saúde e depende exclusivamente dela.

Dessa forma, o debate acerca dos perigos da automedicação faz-se imprescindível. Incumbe-se ao Ministério da Saúde aumentar o número de médicos e enfermeiros, assim como os investimentos nos postos de saúde, para que a comunidade de baia rente tenha mais acesso a consultas para orientar-lhes sobre o uso incorreto de medicamentos. Cabe também à mídia a promoção de propagandas informativas que desmotivem a população a fazer autodiagnósticos com informações da internet. Feito isso, será possível tornar os cidadãos mais conscientes da importância de fazer uso correto de remédios.