Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/02/2021
Na década de sessenta, um rémedio usualmente indicado para o alivio de náuseas causou comoções. Nesse sentido, a mistura racêmica conhecida como “talidomida” resultava na má formação do feto em grávidas. Dessa forma, observa-se a relevância em consumir medicamentos prescritos por médicos. No entanto, no Brasil, em virtude do sucateamento de gastos com a saúde pública e a inoperância, milhares de brasileiros recorrem a medicação indiscriminada.
Em primeira análise, de acordo com o sociológo Gielberto Dimenstain em sua teoria conhecida como “Cidadão de Papel”, o indivíduo contemporâneo tem seus direitos sociais limitados a folha de papel. Assim, observa-se por exemplo, que leis como a de número 8080-instituída com o objetivo de assegurar a saúde pública e de qualidade para todo e qualquer brasileiro- não passa de um vocabulário requintado em um documento. Logo, insatisfeitos com as mazelas do atendimento público de saúde, uma grande parcela da população recorre a automedicação, que por sua vez, acarreta em desfechos nefatos. Tal qual, é reflexo de dados recentes da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), os quais revelam que a automedicação é responsável por cerca de vinte mil mortes por ano no país.
Somado a isso, consoante ao contrato social de Thomas Hobbes, cabe ao Estado garantir a paz e a ordem. Contudo, tendo por base ao acesso não facilidado das contra indicações dos fármacos-que se baseiam em um conteúdo erudito e marginalizado na embalagem- conclui-se a transgressão ao contrato de Hobbes.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Diante disso, cabe ao Congresso Nacional promover mais investimentos nas escolas-mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias- as quais realizarão palestras e debates com os alunos. Mediadas por profissionais da saúde, com o intuito de formar consumidores conscientes, que saibam pressionar o poder público por mais esclarecimentos a cerca das informações pouco acessíveis dos remédios e que também questionem a falta de aparatos para atendimentos dignos nos postos de pronto atendimento. Dessa forma, investindo na educação investe-se também na saúde, e assim, reduz-se as chances da reprodução de casos trágicos, como o do uso indiscriminado da talidomida na década de sessenta.