Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/03/2021

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), a ingestão de remédios sem prescrição médica é responsável por cerca de 20 mil mortes anualmente no Brasil. Esse dado demonstra que o problema da automedicação está presente de forma complexa na sociedade brasileira. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a questão sociocultural e a falta de fiscalizações nas farmácias.

Em primeiro lugar, convém ressaltar que a questão sociocultural é um fator determinante para a persistência do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a automedicação é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, ingerir remédios sem prescrição médica é um costume presente na vida da maioria dos brasileiros. Isso, pois, a opinião oferecida por amigos ou família sobre qual fármaco ingerir em determinadas ocasiões,  a existência de muitas farmácias em cada cidade e a facilidade de compra desse tipo de droga, contribuem para que o consumo de fármacos seja rotineiro para a maioria dos cidadãos.

Em segundo lugar, a falta de fiscalizações nas farmácias apresenta-se como outro fator que influencia na dificuldade de resolução da problemática. Segundo Maquiavel, em um país, ter leis e elas serem executadas é mais importante do que ter apenas boas leis. A perspectiva do filósofo, evidencia que nas sociedades, as normas, além de existirem, devem surtir efeitos efetivos para a finalidade que elas foram criadas. Sob essa análise, pode-se notar que as diretrizes elaboradas para que a venda de medicamentos com tarja seja proibida sem prescrição médica não têm sido eficientes, haja vista que a comercialização incorreta ocorre em alguns estabelecimentos brasileiros, o que evidencia a necessidade de vistoria, periódica, em todos os comércios de rémedios.

Portanto, para que a automedicação em debate no século XXI deixe de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Dessa forma, cabe a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) fiscalizar todos os estabelecimentos farmacêuticos do Brasil, por meio de visitas periódicas e sem aviso prévio, a fim de observar se a comercialização dos medicamentos está correta, ou seja, conforme o que está previsto nas normas vigentes, a farmácia com práticas inadequadas deve ser fechada. Além disso, as instituições de ensino devem abordar, de forma semestral, os efeitos negativos da automedicação para o ser humano, por meio de palestras com profissionais da área da saúde, com o intuito de mostrar, desde a infância, que o consumo de remédios sem a orientação de um médico, prática comum na sociedade, é errado e prejudicial a saúde.