Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 14/03/2021
Segundo a Organização Mundial da Saúde, em certos casos, a automedicação consciente é benéfica, já que, muitas vezes, a dor sentida pelo paciente é oriunda de um simples caso que pode ser tratado por meio de um medicamento sem tarja, o que, ocasionalmente, contribui para a não superlotação do sistema de saúde. Entretanto, essa recomendação de uso não se encaixa aos padrões atuais, visto que, atualmente, no Brasil, o uso indiscriminado de remédios, sem prévia avaliação médica, se tornou um hábito, devido ao imediatismo de sanar uma possível enfermidade, coagido pela necessidade de se obter maior produtividade, como também a banalização dos efeitos desse tipo de substância, a qual preza somente a melhora e não os efeitos negativos.
Naturalmente, a partir do século XXI, as relações do indivíduo com o trabalho se intensificaram, muitas vezes, excedendo às próprias limitações que o corpo humano possui. Nesse sentido, na tentativa de driblar as necessidades biológicas, o homem moderno recorre ao uso abusivo de medicamentos, o qual é responsável por lhe eximir da baixa eficiência, de forma imediata. Sob essa ótica, cabe ser citada a obra “Sociedade do Cansaço”, pertencente ao filósofo Byung-Chul Han, que disserta a tese “Sociedade do Desempenho”, um método de vida contemporâneo que induz o homem a ser cada vez mais ágil na execução de suas atividades, porém como nem sempre isso é possível, ele apela ao consumo descomedido de fármacos. Diante disso, denota-se que pela carência de ser cada vez mais hábil, o indivíduo moderno se refugia na automedicação, a qual é responsável por lhe garantir sucesso.
Por outro lado, vemos que a ingestão não adequada de remédios possui apenas uma perspectiva de cura, pois em nenhum momento a preocupação a cerca de suas contraindicações é levada em conta, o que, consequentemente, leva à banalização dos efeitos dos medicamentos. Nesse caso, pode ser citada a obra cinematográfica brasileira “Linda de Morrer”, narrativa que se baseia no óbito de Paula, mulher que foi responsável por desenvolver um medicamento para fins estéticos e se propôs a aplicar em si mesma, ação pela qual resultou em sua morte, devido a um efeito colateral da substância. Diante disso, infere-se que os efeitos colaterais dessa droga se tornaram vulgares, uma vez que não há prudência sobre seu uso indevido que privilegia apenas o resultado de uma iminente cura.
Portanto. A fim de combater a prática pela automedicação, o Ministério da Saúde em conjunto com o Conselho Federal de Medicina devem criar campanhas informativas, no intuito de elucidar os riscos dessa ingestão danosa à saúde humana, por intermédio de uma linguagem de fácil compreensão, proferida por formadores de opinião, tal como o Doutor Dráuzio Varella. Esse anúncio deverá ser divulgado por meio das diversas mídias, tais como, televisivas, radiofônicas e impressas.