Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 19/03/2021
Na obra ¨Utopia¨, do escritor inglês Thomas More, é idealizada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padrozina-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto. o que se observa no panorama contemporâneo é o oposto do que prega o autor, uma vez que a automedicação apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Essa realidade alarmante é fruto tanto da negligência governamental, quanto da ineficaz estrutura de saúde. Dessa maneira, medidas mais arrojadas do Poder público e da sociedade civil são essenciais para solucionar essa problemática.
Em primeira análise, é imprescindível pontuar a carência de medidas governamentais para combater o uso indiscriminado de remédios no país. Isso é negativo, pois devido a um deficitário quantitativo de informações capazes de explicitar para a população as consequências dessa prática, as pessoas ficam sujeitas a graves problemas de saúde. Outrossim, uma pesquisa do Instituto Hibou, realizada em 2014, aponta que cerca de 45% dos brasileiros acreditam que apenas os remédios de tarja vermelha ou preta trazem sérios riscos quando consumidos sem recomendação adequada, o que evidencia a carência de informatividade social sobre a temática. Consequentemente, percebe-se a naturalização de uma cultura de automedicação, cujas implicações podem resultar em lesões renais e até na seleção de bactérias super resistentes. Desse modo, faz-se mister uma rápida mudança na postura estatal para reverter esse quadro lastimável.
Ademais, é fulcral pontuar a péssima estrutura do sistema público de saúde do país. Nesse contexto, a alta burocratização enfrentada para se consultar, deixa o indivíduo sujeito ao caminho mais acessível, de modo que a farmácia é considerada a primeira opção para se resolver uma enfermidade. Essa realidade é preocupante, pois a Agência Nacional de Vigilância Sanitária(ANVISA), permite a venda de diversos medicamentos sem a necessidade da receita médica, o que gera ainda mais a compra indiscriminada de remédios e o aumento da precarização do sistema de saúde brasileiro. Logo, esse quadro inaceitável requer uma reeducação da nação de forma urgente para reverter essa problemática.
Destarte, é notório que medidas mais arrojadas são importantes para combater esses obstáculos. Para isso, o Governo Federal, por meio do Tribunal de Contas da União, deve disponibilizar mais verbas para que o Ministério das Comunicações promova mais debates tanto no meio digital, quanto em escolas públicas e privadas, com o devido auxílio de profissionais no assunto, como médicos infectologistas, com a finalidade de reeducar desde cedo a população sobre os riscos da automedicação de maneira irresponsável. Assim, além de diminuir eventuais danos ao sistema de saúde brasileiro pelo obstáculo vigente, a sociedade poderia alcançar a coletividade utópica de Thomas More.