Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 07/04/2021

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), cerca de 20 mil mortes no Brasil são causadas por automedicação. Esse dado demonstra que o problema da automedicação está presente de forma complexa na realidade brasileira e deve ser debatido. Nesse contexto, torna-se evidente como causa a insuficiência de leis, bem como a falta de debate.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a insuficiência de leis presente na questão. A legislação atual proíbe a venda de medicamentos sem receita médica, porém libera a venda de medicamentos anódinos desde que o indivíduo seja advertido sobre o uso exagerado. No entanto, essas leis não têm sido suficientes no que se refere à questão da automedicação, uma vez que o problema continua atuando fortemente no contexto atual. Assim, a resolução desse impasse é dificultada.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de debate. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno da automedicação, que tem sido silenciada. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre esse problema sua resolução é impedida.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para esse fim, é necessário que o Ministério da Justiça, junto com o Ministério da Saúde, crie um projeto onde deverão ser feitos vídeos e publicações por meio das redes sociais dos mesmos, a fim de conscientizar a população sobre as consequências da automedicação. Além disso, deve ser feito fiscalizações, para observar se a lei de fato está sendo cumprida. Assim a proposição de Foucault se tornará menos aplicável à realidade brasileira e haverá uma suficiência de leis no que diz respeito à automedicação.