Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 16/04/2021

As comunidades indígenas, de modo geral, têm como hábito, diante de uma situação de adoecimento, a consulta ao membro de maior idade do grupo para a ingestão de medicamentos. Analogamente, diversas famílias possuem o costume de perguntarem aos avós e, frequentemente, à internet sobre as práticas medicamentosas. Nesse sentido, ora por uma questão cultural, ora pela facilidade de acesso aos remédios, a automedicação é engendrada no Brasil. É necessário, portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.

Em primeiro plano, pode-se destacar a frase do médico Lair Ribeiro acerca de a palavra convencer, mas o exemplo arrastar, à medida que, como consequência dos hábitos dos mais idosos, a ingestão de medicamentos sem a prescrição médica ocorre,também, entre os mais jovens, que são educados a seguirem os mesmos costumes familiares.Dessarte, assim como evidencia a escritora Françoise Héritier, o mal começa com a indiferença, já que, diversas vezes, ocorrem intoxicações e os indivíduos não as relacionam com a ingestão desmedida de medicamentos. Ademais, há a normalização de propagandas farmacêuticas na internet e na televisão. Por conseguinte, a automedicação torna-se culturalmente aceita e industrialmente lucrativa.

Em segundo plano, convém ressaltar a ideia do físico Albert Einstein no que cerne ao mundo não ser destruído por aqueles que causam o mal, mas pelos que o olham e não fazem nada, baseado na conjuntura de que o Estado é displicente diante da facilidade de acesso aos medicamentos no Brasil. Dessa forma, a aliança entre o que o sociólogo Theodor Adorno chama de “Indústria Cultural”, isto é, a introdução de hábitos na sociedade para fins de lucratividade, e a acessibilidade a esses produtos contribui, novamente, para a automedicação.

Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre o Estado e a sociedade na resolução dos erros existentes. Logo, cabe, respectivamente, ao Ministério da Saúde, órgão regulatório da saúde no país, a expansão, por meio de uma Emenda Constitucional, da abrangência de remédios que podem ser adquiridos apenas com prescrição médica, com a finalidade de reduzir o acesso a essas mercadorias; e aos órgãos midiáticos, a proibição de propagandas de medicamentos e a criação de campanhas educativas que conscientizem as famílias sobre a importância de não realizarem a automedicação. Assim, a população será, a cada dia, mais saudável.