Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 19/04/2021

Em 25 de junho de 2009, Michael Joseph Jackson, um dos maiores artistas da história da música, faleceu devido a uma intoxicação por medicamentos (propofol e benzodiazepina). Todavia, sua morte não foi um caso isolado, uma vez que a automedicação compromete a integridade física e neurológica de diversas pessoas - fato que configura um preocupante problema, principalmente no Brasil. Na contemporaneidade, tal conjuntura é intensificada pelo imediatismo social e pela ineficiência do sistema de saúde brasileiro. Dessa forma, medidas são fundamentais para alterar essa realidade.

Em primeira análise, cabe pontuar que a pressão social por alta performance contribui para a permanência do problema. Segundo Byung Chul Han, filósofo sul-coreano, hodiernamente estamos inseridos em uma “Sociedade do desempenho” que visa a superprodutividade dos indivíduos nas diferentes esferas sociais, tais como trabalho, estudo e relacionamentos. Nesse contexto, as pessoas buscam formas de evitar a exaustão e de se manterem ativos obtendos bons resultados a todo momento, o que resulta no consumo inconsequente de medicamentos estimulantes. Com efeito, a longo prazo esses fármacos podem causar dependência, problemas neurológicos ou até mesmo taquicardias. Logo, é urgente discutir ações para minimizar o impasse.

Posteriormente, é tácito elencar que o sucateamento do serviço de saúde amplia a prática da automedicação no país. A Lei do SUS, promulgada em 1990, prevê a universalidade, integralidade e equidade do sistema público de saúde brasileiro. Entretanto, é notória a não efetivação dessa determinação, tendo em vista a negligência e superlotação de hospitais e de UBS´s (Unidades Básicas de Saúde). Diante disso, algumas pessoas optam por ingerir remédios sem supervisão adequada para não perderem tempo em longas filas de espera tanto de consultas médicas, quanto de realização de exames. Consequentemente, esse uso de medicamentos por conta própria pode mascarar doenças mais sérias ou resultar em intoxicação medicamentosa - a exemplo do que ocorreu com Michael Jackson. Desse modo, é imprescíndivel a proposição de medidas para atenuar essa situação.

Portanto, ao analisar as falhas do sistema de saúde e as cobranças por super desempenho, observa-se a influência desses no entrave social, o que exige um plano de ações eficientes para amenizar o problema. Posto isso, compete ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, por meio da mídia televisiva e da imprensa,  desenvolver campanhas informativas e de alerta - usando formadores de opinião, como o cientista e escritor Drauzio Varella (conhecido por popularizar opiniões médicas), além de uma linguagem compreensiva para o grande público -, a fim de combater a automedicação no Brasil.