Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 26/04/2021

No seriado “O Gambito da Rainha”, Beth, protagonista da série, é uma garota prodígio do xadrez viciada em ansiolíticos, e passa a vida inteira utilizando tais medicamentos sem auxílio médico. Nesse sentido, no Brasil, assim como a personagem supracitada, muitos indivíduos fazem a automedicação,o que configura uma das principais problemáticas do século XXI. Logo, é importante debater sobre a ineptidão da sociedade e a banalidade de comportamentos, principais causas do impasse.

Em primeira análise, é válido frisar a falta de criticidade na população canarinha. Nesse segmento, é possível fazer referência ao filósofo alemão Arthur Schopenhauer, o qual afirma que os indivíduos tomam os limites do seu campo de visão como os limites do mundo, ou seja, a maioria dos cidadãos acredita que os conhecimentos adquiridos por si durante a vida são uma verdade incontestável. Tal pensamento está diretamente ligado ao frequente comportamento de se automedicar, visto que, por não se preocupar em questionar as noções do senso comum, boa parte da população acaba tratando doenças ou sintomas aparentemente simples sem qualquer auxílio profissional. Por conseguinte, os automedicados correm o risco de ter um agravamento em suas doenças e, até mesmo, do óbito.

Em segunda análise, é importante salientar a banalização de comportamentos pela sociedade. Nesse sentido, consoante ao político inglês Francis Bacon —  o qual afirmava que o comportamento humano é contagioso, tornando-se enraizado a medida que se reproduz — por ser uma prática tão constante, os indivíduos normalizaram a automedicação. Exemplo disso são as buscas frequentes do “Google”, famoso site de pesquisa, que tem como vários de seus principais tópicos, no Brasil, sintomas e seus tratamentos, o que demonstra a grande frequência de autotratamentos medicamentosos por parte dos brasileiros. À vista disso, é observado o surgimento de superbactérias e uma, consequente,  dificuldade no tratamento de infecções.

Portanto, medidas devem ser tomadas para combater o impasse. Para tanto, urge que o Ministério da Educação, em conjunto com a mídia, crie um projeto de sensibilização da população em relação à automedicação. Tal plano deve contar com uma série de palestras, fóruns e debates sobre os males desse método curativo que devem ser inseridos em uma plataforma digital cuja divulgação precisa ser feita nos principais canais de comunicação, a fim de garantir uma maior criticidade na população acerca dos autotratamentos medicinais. Ademais, o Ministério da Saúde deve fazer uma redução no número de medicamentos paliativos e um aumento na quantidade de substâncias curativas que precisem de retenção da receita, com a finalidade de diminuir a autoterapia com o uso de remédios. Certamente, assim, haverá uma redução no uso de drogas terapêuticas por conta própria no Brasil.