Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 28/04/2021

A minissérie “O Gambito da Rainha”, produzida pela Netflix, conta a história de Beth, menina super talentosa, que usa compulsivamente um anestésico para se ver fora da sua realidade. Não distante da ficção, muitos brasileiros se encontram na mesma situação de Beth, abusam da automedicação, na maioria das vezes se verem fora da realidade. Nesse contexto, fica evidente que alguns fatores são essenciais para a persistência desse problema, como a baixa atuação do governo em uma falta de conhecimento populacional.

Em uma primeira análise, é importante ressaltar que o descaso governamental presente na questão é um enorme contribuinte. Sobre isso, o filósofo Thomas Hobbes traz uma contribuição relevante, alegando que é dever do Estado garantir o bem-estar da população. Em relação a tal afirmação, nota-se uma incompetência da política brasileira, no sentido de que, ao contrário do que Hobbes explanou, o governo não trabalha em sua nação a questão da automedicação excessiva, fazendo com que a resolução do problema se torne cada vez mais dificultada.

Além disso, cabe enfatizar que a falta de conhecimento social acaba moldando alicerce para tal conjuntura. Nessa perspectiva, o educador Paulo Freire defende que a educação sozinha não transforma ninguém e, sem ela, tampouco a sociedade muda. Em se tratando da automedicação, é possível perceber que o pensamento de Freire não se fundamenta, pois a sociedade atual não apresenta uma carga educacional acerca dos possíveis problemas que alta medicação ao longo prazo pode acarretar.

Portanto, diante do exposto, e tendo em vista os desafios que a automedicação apresenta, torna-se dever do Ministério da Saúde, promover um projeto sócio-educacional para população brasileira, por meio de oficinas, palestras e rodas de conversa. Ademais, o projeto deve ter cunho nacional com palestras ao vivo nos canais de comunicação e também deve ser trabalhado nas escolas. Para assim, aumentar o nível de conhecimento populacional, vencer os obstáculos da automedicação e, consequentemente, desenvolver a educação necessária imposta por Paulo Freire.