Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 01/05/2021
No passado, antes do advento da Revolução Científica, era comum que curandeiros usassem ervas medicinais para a cura de enfermidades na falta da presença de médicos. Apesar de ser uma prática antiga, ela ainda é muito utilizada nos dias atuais, juntamente à automedicação. Contudo, este costume pode gerar diversas consequências prejudiciais à saúde dos indivíduos. Sob essa ótica, compreender esse cenário é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que a carência de informações e o descaso estatal são notados.
É preciso considerar, antes de tudo, que a desinformação da população acerca dos reais problemas causados pela utilização de remédios sem receitas médicas ainda é muito grande. Nesse sentido, na intenção de um rápido combate às dores, as pessoas recorrem às farmácias, de modo a comprarem comprimidos que, por muitas vezes, não são indicados para o tratamento, de forma a resultar em inúmeros efeitos colaterais ou, nos piores casos, pode levar à morte. Prova disso é que, segundo o site iSaúde, há 20 mil óbitos anuais, no país, em decorrência do uso inadequado de medicações. Esse fato, em consonância com o Método Científico, do filósofo Francis Bacon, o qual salienta que conhecimento é poder, demonstra a urgência de a população ter maior conhecimento sobre essa temática.
É válido ressaltar, ainda, a negligência do governo perante tal contexto. Seguindo esse raciocínio, na busca de minimizar os gastos públicos e diminuir o número de cidadãos na fila de espera por tratamentos nos postos de saúde, a administração pública induz e facilita as compras em drogarias. Essa realidade é ilustrada pela lei 9.294/96, a qual permite a divulgação e a venda livre de medicamentos de uso paliativos, de maneira a introduzir a ideia de permissão e incentivo à utilização dessas drogas pela sociedade. Tal conjuntura vai contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), que visa garantir o direito à saúde plena e ao bem-estar coletivo. Por essa razão, urge a necessidade de medidas para sanar essa problemática.
Evidencia-se, portanto, que são muitos os efeitos negativos do uso de remédios sem prescrição médica. Para contrapor as situações, cabe ao Ministério da Saúde, em ação conjunta à mídia, elucidar a população quanto ao risco de procurar tratamentos sem consultar os médicos, por meio de informativos nos programas televisivos, a fim de incentivar o hábito da ida aos agentes de saúde. Outrossim, o Poder Legislativo deve tornar a lei 9.294/96 mais rígida, por intermédio da autorização da publicidade de fármacos apenas em unidades de saúde, com a finalidade de desestimular esse nocivo costume do corpo social. Destarte, será possível conter tais impasses, à medida que o legado de Bacon se tornará um ensinamento e o Brasil alcançará os princípios da DUDH.