Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 01/05/2021

Compra fácil de medicamentos, busca por resultados imediatos e displicência informacional, essas são as principais barreiras para o combate à automedicação no Brasil. Em virtude disso, é notório o aumento das taxas de dependência dos medicamentos, maior suscetibilidade à novas doenças e, até mesmo, morte pelo uso dos mesmos. Dessa forma, torna-se necessário promover medidas que combatam efetivamente essa situação crescente no país.

Em primeiro lugar, é fundamental destacar os fatores que levam ao consumo de medicamentos sem prescrição médica. Entre eles, a facilidade de compra e o imediatismo mostram-se entraves presentes no país. Nesse sentido, destaca-se o documentário “Take your pills”, o qual evidência que remédios são vendidos facilmente desde os anos 60 e que a competitividade associada à busca por desempenhos imediatos é muito presente na sociedade moderna. Dessa maneira, é certo que a compra de medicamentos sem informações médicas é comum entre os indivíduos, os quais tentam fazer parte de um mercado de trabalho que exige o máximo dos mesmos, que, muitas vezes, não é alcançado sem o uso de fármacos estimulantes.

Em uma segunda análise, evidencia-se, também, o consumo de medicamentos sem indicação médica devido à negligência informacional. Sob esse viés, é inegável que a publicidade influência no interesse da população sobre os medicamentos, assim, a publicação de informações incorretas e incompletas é um embate presente na sociedade atual. Em decorrência disso, de acordo com os dados fornecidos pela Anvisa, cerca de 20% das mortes por ingestão de venenos é devido à automedicação, assim como ela pode causar vício à longo prazo, ampliar a suscetibilidade dos indivíduos à novos problemas de saúde, além de poder levar o indivíduo à óbito.

Portanto, tornam-se necessárias novas medidas para combater os casos crescentes de automedicação no Brasil. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde e ao Conselho Federal de Farmácia promover maior fiscalização e rigidez na cobrança de receitas médicas e na exigência de informações completas sobre os medicamentos, incluindo os riscos que podem causar, por meio da fundação de órgãos fiscalizadores e campanhas sobre a utilização de fármacos, de modo a dificultar a compra de medicamentos, alterar a visão associada à necessidade dos mesmos para a integração no mercado de trabalho e barrar a negligente campanha midiática sobre o assunto.