Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 11/06/2021
O mundo vivenciou, a partir do início do século XX, uma revolução terapêutica e medicamentosa advinda, principalmente, da descoberta da penicilina e dos anestésicos de grande eficácia. Conquanto, a despeito da ampliação do acesso ao uso de fármacos, a automedicação tem se tornado um grave problema de saúde pública à medida que se pauta justamente no baixo senso crítico da população e no apelo da indústria farmacêutica, com consequências para saúde individual e coletiva. Não obstante, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem a esse quadro.
Em primeiro lugar, vale salientar que a sociedade atual vive um período de “hipermedicalização”, cuja disponibilidade de fármacos e incentivo da indústria farmacêutica competem para o uso desproporcional de remédios por conta própria. Nessa conjuntura, há a modelagem de práticas sociais, sob a mão forte da indústria de medicamentos, com intuito puramente financeiro que resulta em prejuízos na racionalidade do uso. Dessa forma, há um comportamento social de risco com a desvalorização dos tratamentos duradouros e o desregramento da utilização de medicamentos resultando no desenvolvimento de cepas resistentes. É inconcebível que esse cenário continue a perdurar.
Por outro lado, o baixo senso crítico da população, resultado de uma educação obsoleta, alheia aos cuidados em saúde, reverbera na falibilidade da automedicação. Ademais, o grande acesso a informações, bem como o pouco debate sobre o tema nos meios de comunicação corroboram para consequências que vão desde a superdosagem, efeitos adversos graves, toxicidade, hepatite fulminante e dependência química. Logo, ao não abranger a discussão sobre o uso racional de fármacos, mídia e escola se omitem na formação de uma geração consciente e preparada para lidar com as demandas em saúde e seus processos educativos.
É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas para a resolução dessa problemática. Assim, o Ministério da Saúde juntamente com as escolas e mídias digitais - principais atores desse processo – devem encabeçar a “Semana de Combate à Automedicação”, que vise o uso racional de medicamentos. Essa iniciativa aconteceria por meio de palestras nas escolas bem como por campanhas midiáticas, se utilizando, assim, de novas tecnologias e informações para promover conscientização em jovens e adultos. A fim de promover, não somente, uma revolução terapêutica, como no início do século XX, mas sobretudo, uma geração de sujeitos conscientes de seus cuidados em saúde e bem-estar.