Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 04/05/2021
A série televisiva “O gambito da rainha”, retrata o cotidiano de Beth uma órfã que consegue jogar xadrez de maneira excelente quando ingere pílulas sem indicação médica, contudo essa automedicação vira um vício que deixa a personagem internada durante dias no hospital. Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que a automedicação é um problema grave no século XXI. Dessa forma, pode-se afirmar que esse impasse é causado não só pelos déficits no sistema de saúde, mas também por conta dos autodiagnósticos sem a ajuda médica.
Diante desse cenário é válido ressaltar que a automedicação é um problema cultural no Brasil. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988 declara que o acesso à saúde é um direito de todos os cidadãos e um dever do Estado. Entretanto, uma das falhas na aplicação desse princípio de isonomia é a demora no atendimento médico no sistema público de saúde. Nesse sentido, por conta dessa demora os indivíduos procuram métodos rápidos para aliviar a dor, como pesquisar medicamentos na internet ou buscar a recomendação de remédios por pessoas que não são especialistas, como amigos e familiares.Portanto, não é aceitável que as más condições no sistema de saúde contribuie para a perpetuação desse comportamento.
Ademais, a mercantilização da saúde induz as pessoas a fazerem uma autoavaliação. Nessa lógica, a internet coopera através da facilidade de pesquisa a identificação de sintomas e, imediatamente, já os relacionam com possíveis doenças , bem como recomenda os remédios indicados. No entanto, esse tipo de diagnóstico não seguro, pois ele é feito sem o auxílio de um profissional da área da saúde. Inclusive, dados do Conselho Federal de Farmácia afirmam que os analgésicos mais comprados e produzidos são os que possuem mais recomendação no ambiente virtual. Logo, enquanto as pessoas não tiverem consciência dos riscos da automedicação casos como o retratado na série “O gambito da rainha”, serão ,infelizmente, comuns.
Dessarte, medidas devem ser tomadas para alterar o quadro atual. Todavia, para isso acontecer o Ministério da Saúde deve,por meio das verbas governamentais da União, criar campanhas que alertam sobre o perigo da automedicação. Essas campanhas devem ser intituladas de “Prevenção é o melhor remédio” e devem expor os riscos do autodiagnóstico.Além disso, essas campanhas devem ser divulgadas no “YouTube”, “Twitter”, “Instagram” e " Facebook" com o objetivo de conscientizar milhares de pessoas, e consequentemente, erradicar os casos da automedicação. Somente assim, será possível que os danos da medicação por conta própria sejam retratados apenas na ficção.