Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 26/05/2021
A automedicação diz respeito ao uso e ao abuso de medicamentos sem a supervisão médica adequada. Atualmente, cada vez mais pessoas autoavaliam seus sintomas e decidem os remédios e as doses que irão tomar, muitas vezes inadequados. Podem-se apontar como causas dessa conduta o sucateamento do sistema público de saúde e a facilidade de acesso às medicações. Dessa forma, cabe ao Governo adotar medidas objetivando reduzir os altos índices de automedicação e suas graves consequências.
Esse quadro é ocasionado principalmente pelo sucateamento do sistema público de saúde, retratado na música “Sem saúde” do cantor brasileiro Gabriel, o pensador. Em tal canção, percebem-se os efeitos dessa precariedade na vida dos cidadãos. Devido à lentidão e à baixa qualidade desse precário sistema de saúde, muitos indivíduos, frequentemente, resolvem tomar substâncias farmacêuticas para solucionar seus problemas de saúde por conta própria. Além disso, vale ressaltar que a facilidade de acesso a medicamentos, em diversas farmácias, sem prescrição médica, também contribui para a existência do problema em questão. É possível, por exemplo, obter até mesmo remédios de tarja preta, considerados psicotrópicos, sem a necessidade de receita médica, em lugares onde a fiscalização desse comércio é ineficiente.
As complicações desse uso inadequado e indiscriminado de remédios são diversas e graves tanto para o próprio usuário quanto para a coletividade em geral. Pode-se citar no âmbito pessoal o desenvolvimento de certa dependência química, que em casos mais graves implica a morte por overdose. A atriz norte-americana Marylin Monroe, por exemplo, marcou a história devido a sua morte decorrente do exagero de sedativos. Ademais, é possível o surgimento de superbactérias, capazes de prejudicar a saúde pública. Isso ocorre devido à seleção de bactérias resistentes especialmente aos antibióticos - por dosagens ou por tempo de utilização incorretos- , o que as torna imunes a diversos tratamentos, e por conseguinte, provocam a sobrecarga do sistema de saúde.
Portanto, a fim de minimizar a automedicação e seu exagero, urge que o Governo Federal, responsável por garantir a saúde pública, aumente a eficiência do SUS (Sistema Único de Saúde). Essa ação será realizada mediante o redirecionamento dos investimentos encaminhados para a saúde, evitando a dependência química e a incidência de superbactérias. Concomitantemente, o mesmo agente, em parceria com o Conselho Federal de Farmácia, deve formular medidas de fiscalização mais rigorosas e padronizadas, a serem aplicadas em todos os estabelecimentos de obtenção de medicamentos.