Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 07/05/2021

A série televisiva ‘‘Dr.House’’ expõe o vício do gênio e médico Dr. Gregory House, ao fazer o uso do Vicodin por muitos anos para estagnar as suas dores na perna direita. Transpondo-se o conteúdo ficcional, na contemporaneidade, os problemas relacionados a automedicação são a ausência de informações sobre os possíveis danos gerados pelo o uso indiscriminado dessas substâncias e o medo constante de desenvolver doenças subjacentes. Logo, é imprescindível debater e analisar as causas e as  consequências desse óbice na sociedade brasileira.

Cabe mencionar, em primeiro plano, a disponibilidade ínfima de material informativo sobre a utilização de medicamentos sem o acompanhamento médico como fator impulsionador do imbróglio. Conforme o Artigo 196 da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado promover a saúde mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença. Contudo, a prática contraria a teoria da Carta Magna ao analisar a falta de avisos sobre avarias irreversíveis para o cidadão, como, por exemplo, a dependência química. Nesse sentido, esse nefasto cenário de inércia estatal deve ser combatido, pois a negligência fomenta outros tipos de patologias e leva ao descalabro social.

Ademais, vale ressaltar, também, o temor excessivo veiculado pelos meios de comunicação e as mídias sociais como uma das causas da problemática. De acordo com o renomado psicanalista Sigmundo Freud, a hipocondria caracteriza-se por sensações de aflição no corpo. Dessa forma, esses agentes configuram, no país, indivíduos hipocondríacos que são rodeados de notícias inconsequentes e sem filtro de palavras, e, destarte, corroboram para a indicência da automedicação. Portanto, é essencial remover esse tipo de conteúdo do cotidiano do brasileiro, e, assim, criar um ambiente que propicie a saúde mental e a diminuição do consumo de fármacos sem a prescrição de um profissional.

Em síntese, a emergência em impugar os conflitos supracitados requer prioridades do Ministério da Saúde, concomitantemente com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações com fins de noticiar os agravos causados pela automedicação. Urge desenvolver um aplicativo para aparelhos móveis, por meio de celulares Android e iOS, no qual os médicos indiquem as reações adversas do uso prolongado de cada uma das drogas, como, por exemplo, a compulsão, a intoxicação e o agravamento da doença. Outrossim, cabe ao Ministério das Comunicações eliminar assuntos que sejam pejorativos para a saúde psicológica coletiva, por intermédio de mecanismos de denúncia pela filtragem automática de palavras, com o objetivo de abreviar o pânico e a histeria, e, dessarte, evitar o hábito de ingerir um fármaco não receitado. Somente assim, a história fictícia de Gregory House não irá tornar-se uma realidade.