Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/05/2021

O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à automedicação, visto que, consumir remédio sem orientação médica é um hábito comum a 77% dos brasileiros, conforme pesquisa divulgada em 2019 pelo Conselho Federal de Farmácia. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a carência de debate e a lenta mudança na mentalidade social.

Primeiramente, é preciso salientar que a falta de debate é uma causa latente do problema. Desse modo, o filósofo Habermas traz uma contribuição importante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Diante disso, para que o uso de medicamento sem prescrição médica seja evitado, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, uma vez que há pouca discussão nas escolas sobre as consequências do uso indiscriminado de remédios. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente diminuiria a chance de intoxicação e de outros danos à saúde por automedicação.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do uso de medicação por conta própria é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, já que a sociedade contemporânea busca por resultados imediatos, principalmente, para não comprometer a vida profissional ou acadêmica. Dessa maneira, nota-se que muitos brasileiros tomam medicação de forma indiscriminada devido à pressão social, podendo comprometer a saúde, o que torna sua resolução ainda mais complexa.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a automedicação e seus possíveis riscos à sáude, bem como realçar a importância de consultar um médico antes de fazer uso de qualquer remédio no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de saúde. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.