Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 19/05/2021
Segundo o médico e alquimista Paraceiso, ‘‘Todas as substâncias são venenos, não existe nada que não seja veneno. Somente a dose correta diferencia o veneno do remédio’’. Nesse viés, evidenciam-se os riscos da prática da automedicação- desde intoxicações e alergias a até a morte-, extremamente comum na rotina dos brasileiros, de forma indevida. Neste ínterim, cabe analisar a constante banalização da prática de medicação por conta da própria, diretamente influenciada pela persuasão da mídia e pela negligência governamental.
A princípio, torna-se imperativo debater o papel da publicidade medicinal na tomada de atitudes pelos telespectadores em relação ao uso responsável de medicamentos. Nesse contexto, vale ressaltar as críticas feitas pela Escola de Frankfurt, como o conceito de Indústria Cultural, sistema político e econômico baseado na utilização dos meios de comunicação para criar hábitos culturais, visando ao lucro. Similarmente, grandes empresas farmacêuticas projetam campanhas publicitárias populares, que incentivam a compra fácil e o uso autônomo dos seus remédios. Desse modo, os riscos da automedicação são ignorados, causando 10% das internações hospitalares, em sua maioria decorrentes de intoxicações, confome indica a Organização Mundial da Saúde. Assim, o controle e a vigiliância dos veículos publicitários relacionados ao uso de remédios devem ser mais detalhistas, alertando os prejuízos à população em se automedicar.
Ademais, a insuficiência das ações governamentais, como a falta de fiscalização em farmácias e o descaso com a livre circulação de medicamentos, é altamente danosa para a utilização válida da prescrição médica. Sob essa perspectiva, embora o Brasil tenha avançado significamente na ciência a partir da Revolução Médico-Sanitária, processo histórico que ampliou o conhecimento medicinal após a década de 1970, muitos governantes não valorizam as descobertas advindas dessa Revolução, negligenciando a saúde pública. Portanto, a responsabilidade governamental no processo de conscientização e de fiscalização na compra de medicamentos e essencial para a redução do uso inapropriado de remédios, prática que pode levar a óbito.
Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, órgão governamental responsável pelas relações sanitárias nacionais, agir rigidamente no processo de consumo de remédios, por meio de fiscalizações adequadas nas farmácias, nas quais os vigilantes sanitários multarão em altas quantias aquelas que venderem medicações tarjadas sem a receita médica, a fim de evitar problemas de saúde causadas pela automedicação. Além disso, devem alertar acerca dos riscos da auto-dosagem, por intermédio de campanhas educativas na TV e nas redes sociais, com exposição de casos e de problemas reais.