Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 28/05/2021
A automedicação diz respeito ao uso e ao abuso de medicamentos sem a supervisão médica adequada. Atualmente, cada vez mais pessoas auto avaliam seus sintomas e decidem os remédios e as doses que irão tomar, muitas vezes inadequados. É notório apontar como principal causa dessa conduta o sucateamento do sistema público de saúde. Dessa forma, cabe ao Governo adotar medidas objetivando reduzir os altos índices de automedicação e suas graves consequências.
Esse quadro de consumo de remédios sem supervisão é ocasionado principalmente pelo sucateamento de hospitais e clínicas de saúde, onde, muitas vezes, há falta de infraestrutura e até mesmo de profissionais da saúde. Tal cenário é retratado na música “Sem saúde” do cantor brasileiro Gabriel, o pensador, na qual percebem-se os efeitos dessa precariedade na vida dos cidadãos. Devido à lentidão e à baixa qualidade dos atendimentos, muitos indivíduos, frequentemente, resolvem tomar substâncias farmacêuticas para solucionar seus problemas de saúde por conta própria. Assim, nota-se a relação de interdependência entre esse precário sistema de saúde e a automedicação.
Consequentemente, as complicações decorrentes desse uso inadequado e indiscriminado surgem, sendo diversas e graves tanto para o próprio usuário quanto para a coletividade em geral. No âmbito pessoal, por exemplo, pode-se citar o desenvolvimento de certa dependência química - que em casos mais graves implica a morte por overdose -, a exemplo da atriz norte-americana, Marylin Monroe, cujo falecimento decorrente do exagero de sedativos marcou a história. Ademais, é possível o surgimento de superbactérias, capazes de prejudicar a saúde pública. Isso ocorre devido à seleção de bactérias resistentes especialmente aos antibióticos - por dosagens ou tempo de utilização incorretos - , o que as torna imunes a diversos tratamentos, e por conseguinte, provocam a sobrecarga do sistema de saúde.
Portanto, a fim de minimizar a automedicação e seu exagero, urge que o Governo Federal, responsável por garantir a saúde pública, aumente a eficiência do SUS (Sistema Único de Saúde). Isso será feito por meio da contratação de mais profissionais capacitados, capazes de aprimorar a qualidade e a rapidez dos atendimentos, e por meio da melhoria infraestrutural das unidades de atendimento. Concomitantemente, o Ministério da Saúde, em associação com o Conselho Federal de Medicina, deve organizar campanhas informativas e de alerta, veiculadas na mídia que tragam especificamente relatos e depoimentos de formadores de opinião (a exemplo do Dr. Drauzio Varella), que a partir de uma linguagem compreensível, abordem a gravidade da automedicação e de seus efeitos, como dependência e seleção de microrganismos resistentes.