Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 10/06/2021
Na série “Dr House”, a procura para o tratamento profissional de intoxicação medicamentosa, devido à automedicação, é crescente e, muitas vezes, tardia, pois a doença pode atingir proporções irreversíveis. Fora da ficção, tal situação também ocorre no Brasil, onde a venda livre de remédios é incentivada pelo comércio, em prol da lucratividade, e a automedicação irresponsável é generalizada. Nesse sentido, é necessário analisar os problemas para gerar possíveis soluções para a questão.
A priori, após a Revolução Industrial, as indústrias farmacológicas viram suas vendas aumentarem completar com o uso de propagandas televisivas, uma vez que, ao utilizar linguagem apelativa, os anúncios induzem o cidadão ao consumo de remédios, com vistas a maximizar as. De fato, tal atitude se relaciona à ideia do pensador Confúcio: “Não corrige nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”. Nesse sentido, a partir de 1996, a Legislação do Brasil médica obrigatória o incentivo à procura profissional após as propagandas de medicamentos na televisão. Porém, por conta da ausência de fiscalização governamental, as empresas burlam como leis por meio da introdução deste incentivo de maneira rápida e de difícil interpretação pelo telespectador.
Ademais, é válido ressaltar que, com o descobrimento da Penicilina - antibiótico que combate doenças bacterianas -, em 1928, cresceu a esperança da sociedade para a cura de diversas doenças, como a Tuberculose. Além disso, atualmente, esses remédios são encontrados a preços baixos e sem necessidade de prescrição médica, com vistas a facilitar o seu acesso. Isso é benéfico para o Sistema Público de Saúde, pois, se utiliza de maneira responsável, reduz o número de atendimentos considerados não graves e, por consequência, a superlotação nos hospitais. No entanto, de acordo com a escritora Ngozi Adichie, “se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna comum”, ou seja, o uso contínuo de remédios automedicados está sendo generalizado indiscriminadamente.
Depreende-se, portanto, que, para combater a automedicação, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - órgão responsável pela análise do conteúdo midiático - invista em anúncios educativos transmitidos pela televisão. Isso ocorrerá por meio da apresentação de informações que destaquem os problemas do uso indiscriminado do remédio e da fiscalização dos anúncios farmacológicos, com o objetivo de incentivar a busca por atendimento médico e de reduzir os índices de intoxicação medicamentosa. Desse modo, buscamos uma história no Brasil diferente da apresentada em “Dr House”.