Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 04/06/2021
O filme “O Lobo de Wall Street” conta a história de pessoas que trabalhavam com vendas de ações na bolsa de valores; tais trabalhadores tinham o costume de usar drogas durante o trabalho para melhorar o seu desempenho, o hábito gerou dependência química no empregados. Fora das telas, a situação se repete em diversas esferas da sociedade, e de modo similar ao filme a automedicação acontece pelos mesmos motivos e acarreta as mesmas consequências. Desse modo, o uso de drogas de performance é impulsionado pelo capitalismo para atingir altos níveis de produtividade, contudo, esse hábito ocasiona dependência química.
Em Primeira Análise, a mão de obra é uma mercadoria e quanto mais veloz e de melhor qualidade for, mais favorável para o sistema é; assim, o homem tende a buscar meios para atingir esse alto desempenho. Perante essa premissa, o sociólogo Guy Debord reafirma esse cenário no seu livro “A Sociedade do Espetáculo”, na obra é declarado que a mercantilização do ser humano leva a um conjunto de relações baseadas por falsas imagens de perfeição, inferindo que ter sucesso é fazer algo que favoreça o sistema capitalista. Nesse sentido, a busca pelos ideais de perfeição e sucesso exigem muito do ser humano, oque impulsiona o uso de remédios para melhorar o foco e a produtividade. Ademais, a automedicação é perigosa e a longo prazo implica em consequências danosas ao bem-estar do indivíduo. À vista disso, o documentário “Take Your Pills” explicita essa afirmação com depoimentos de psicólogos e um compilado de histórias de pessoas que usavam drogas de performance para aumentar o desempenho acadêmico ou profissional, elas tiveram a vida pessoal e sua saúde prejudicadas pelo vício causado por medicamentos. Em suma, o uso de medicamentos sem o acompanhamento de profissionais (automedicação) é perigosa e ainda mais nociva quando o objetivo é melhorar a performance em algo, pois a pessoa fica dependente dos remédios para fazer qualquer atividade.
Portanto, urge que o Ministério da Saúde - órgão responsável por políticas de saúde pública - crie uma campanha de conscientização televisionada em horário nobre pela tv aberta, e por meio das propagandas promovidas pela campanha explique o risco do uso de drogas de performance para a população brasileira com dados científicos feitos por médicos. Tal proposta tem o objetivo de informar e conscientizar as pessoas sobre os perigos da automedicação com o intuito de que elas não usem drogas, evitando que situações como a do filme “O Lobo de Wall Street” se repitam.