Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 06/06/2021
O documentário “Take Your Pills” exibe a prática dos universitários estadunidenses em consumir pílulas estimulantes. Todavia, esses remédios são destinados a pessoas com déficit de atenção, mas alunos livres da doença ingerem tais pílulas sem pensar nas sequelas a longo prazo. Na realidade brasileira, não é incomum o ato da automedicação, que possui como causa a banalização da prática e resulta em consequências negativas à saúde do indivíduo.
Em primeiro plano, evidencia-se que a ação de utilizar medicamentos sem prescrição médica se tornou algo trivial na sociedade brasileira. Nesse contexto, entra em foco o pensamento da filósofa Hannah Arend, sobre a “banalização do mal”, em que ela afirma que a recorrência de algo no cotidiano, acaba por transformar isso em um ato banal. Dessa forma, a automedicação se popularizou na sociedade, uma vez que a atitude de ingerir remédios sem a necessidade de ir ao médico é naturalizada e passada de pais para filhos, perpetuando-se de geração a geração. Ademais, os riscos à saúde do indivíduo intensifica a gravidade da problemática. Acerca disso, o ramo da biologia explica que o uso incorreto de cápsulas de antibióticos podem gerar mutações no mecanismo de defesa das bactérias, deixando-as mais letais que bactérias comuns. Logo, é inegável que a prática de utilizar fármacos pode ser prejudicial à saúde do ser humano.
Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para isso, o Ministério da Saúde deve criar, por meio de veículos de comunicação, um projeto em que sejam divulgados os malefícios do uso de rémedios sem prescrição médica, priorizando abordar as consequências, tais como a dependência do uso e o desenvolvimento de bactérias multirresistentes, a fim de que a população seja informada dos males da automedição. Desse modo, o ato de automedicar-se passará a ser incomum na realidade brasileira.