Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 15/06/2021
No filme ‘‘Batimentos’’, da Giacometti Comunicação, retrata-se a questão da automedicação ao som característico de um monitor de UTI. De maneira análoga, tal prática reflete o modo de vida de muitas pessoas no século XIX: a busca do ‘‘Dr. Google’’ para tratar falsas doenças. Nesse viés, cria-se um ambiente pautado na não adesão às orientações médicas e de saúde. Logo, é notório que a perpetuação da presente problemática é uma questão que necessita de atenção pública, um vez que pode gerar quadros mais graves, como a overdose.
Em primeira análise, destaca-se a mídia como grande propagadora da ingestão de medicamentos sem a orientação médica. No tocante a esse aspecto, Zygmunt Bauman, por meio do imediatismo, revela que a fluidez da modernidade tem gerado práticas cada vez mais velozes, como as rápidas consultas nas propagandas televisivas. De modo correlato, a indústria da publicidade prescreve fármacos, em canais abertos, para milhares de espectadores vítimas da acelerada sociedade. No entanto, como forma de amenizar os efeitos que tal prescrição pode gerar aos responsáveis pela propaganda, utilizam o slogan ’’ persistindo aos sintomas, o médico deverá ser consultado’’. Em síntese, percebe-se que a presente irresponsabilidade pode acarretar agravamento de outras doenças adicionadas à persistência das primeiras manifestações.
Em segunda análise, as limitações no sistema de saúde colaboram para a busca da automedicação na internet. Quanto a tal fato, cita-se o filósofo Thomas Hobbes, em que, na sociedade, é dever do Estado garantir o bem-estar da população. Em paralelo ao pensamento hobbesiano, percebe-se que as medidas estatais que visam à garantia do pleno acesso à saúde são precárias no contexto de vida de grande parte da população mundial. Nesse sentido, para se evitar transtornos relacionados à superlotação dos centros de atendimento à saúde e ao alto custo de consultas médicas as pessoas recorrem às orientações do ciberespaço para se automedicarem. Destarte, a fraca atuação do Estado resulta, diretamente, no fortalecimento da hipocondria digital e de preocupações perante possíveis doenças.
Fica claro, portanto, que medidas são imprescindíveis para resolver o presente impasse. Diante disso, é dever do Estado a promoção de uma lei que proíba a propaganda de medicamentos nos meios de comunicação, por meio do Poder Legislativo- responsável por tal elaboração-, para que a população não seja induzida ao consumo de fármacos para sintomas de causas desconhecidas. Ademais, cabe á mídia a missão de elaborar campanhas de conscientização para alertar os perigos que a ingestão de medicamentos sem prescrição medica pode causar ao organismo.