Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 16/06/2021
Segundo o físico britânico Stephen Hawking: “o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de se ter conhecimento”. Essa frase exemplifica muito bem o cenário constante de automedicação presente no século XXI. Dessa forma, apesar de ser uma prática nociva, a publicidade de medicamentos contribui com a difusão desse costume e pode gerar consequências graves à saúde.
Em primeira análise, é válido retratar como a divulgação de diversas propagandas de remédios colabora com a automedicação. De fato, a publicidade de medicamentos gera a falsa noção de conhecimento sobre a área da saúde, devido aos “slogans” criados para a rápida associação de um sintoma a um determinado remédio. Nesse contexto, essa ilusão criada pela mídia — com o objetivo de vender os produtos farmacêuticos em massa — promove a desinformação da população, contribuindo com o prejudicial imediatismo — traço característico da sociedade moderna, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman.
Ademais, cabe considerar as consequências do uso inadequado dos medicamentos. Sob essa perspectiva, o vício é um dos principais efeitos da automedicação, o qual pode ocasionar na futura ineficácia da droga ou até intoxicação devido ao uso excessivo do fármaco. Além disso, o emprego inapropriado de antibióticos acaba selecionando organismos resistentes, fato que afeta a população geral. Há também a possibilidade do encobrimento de doenças mais graves graças ao uso não controlado de um medicamento, afetando um diagnóstico médico precoce. De acordo com uma pesquisa do Conselho Federal de Farmácia, 77% dos brasileiros se automedicam — dado que comprova a gravidade dessa realidade.
Mediante o exposto, pode-se concluir que, apesar de bastante presente na sociedade atual, a prática da automedicação é perigosa e precisa ser contida. Logo, o Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, deve difundir informações sobre os riscos da automedicação, por meio de propagandas televisionadas e campanhas nas redes sociais que conscientizem a população — buscando atingir desde a parcela mais jovem até os idosos. Espera-se que, a partir dessa medida, esse costume seja interrompido, podendo-se reverter o quadro atual de mercadorização de remédios para uma visão mais responsável por parte da sociedade — combatendo, assim, a ilusão do conhecimento descrita por Stephen Hawking.