Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 16/06/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar os perigos da automedicação para a sáude do brasileiro, constata-se que esse direito não tem sido pragmaticamente assegurado na prática. Com efeito, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a insuficiência legislativa como pilares da chaga.

Em primeira análise, torna-se evidente a influência do fator sociocultural. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que conforme o pensador Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido, a proposta do sociólogo pode ser aplicada quando se analisa o quão natural é tratada a automedicação, ato o qual pode causar grandes danos à saúde daquele que a pratica que a pratica, uma vez que sua utilização inadequada pode esconder determinados sintomas e coopera para o comprometimento da eficácia de tratamentos ao facilitar o aumento da resistência de microrganismos. Destarte, discorrer criticamente essa problemática é o primeiro passo para a consolidação de um país equânime.

Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia das leis corrobora a persistência da vicissitude. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna aos cidadãos. Nessa lógica, a conjuntura vigente contrasta o ideal aristotélico, posto que não exista nenhuma legislação a qual puna farmacêuticos que forneçam substâncias com a ausência de receita médica. Assim, medidas precisam ser tomadas pelas autoridades competentes, a fito de atenuar o revés.

Portanto, infere-se que o imbróglio abordado necessita ser solucionado. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência irá discutir o assunto com profissionais especialistas nessa área, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal, em parceria com as emissoras de televisão. Em adição, é necessário que os Poderes Legislativo e Judiciário, por intermédio de reuniões e julgamentos, criem leis que punirão pessoas responsáveis pela entrega de remédios sem comprovação de indicação profissional e as julgem de forma adequada. Feitos esses pontos, com a visão crítica de Durkheim e a justiça de Aristóteles, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.