Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 19/08/2021

Hodiernamente é cada vez mais comum as pessoas optarem por não se consultar com um profissional para resolver seus problemas de saúde, o que se faz questionar o motivo para tal inversão de lógica e a sua problemática. É necessário, portanto, entender como a automedicação, tanto de medicamentos industrializados quanto de caseiros, acende o alerta de risco à saúde pública.

Antes de tudo deve-se destacar que, em nossa sociedade contemporânea, há várias razões para que um indivíduo decida comprar na farmácia um remédio sem prescrição médica ou farmacêutica, como: medo de hospitais ou consultas, estrutura precária, tempo escasso e também -a mais comum- por comodidade. No entanto, essa abordagem é questionável justamente por sua falta de compromisso e responsabilidade, já que ingerir remédios por conta própria sem estar ciente de suas contraindicações ou riscos é a causa de cerca de 20 mil mortes por ano no país segundo a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma).

Por outro lado há ainda aqueles que preferem adquirir remédios caseiros por acreditarem ser menos danosos ao organismo, mais vantajosos economicamente ou por tradição, contudo essa prática também possui seus perigos. Muitos acreditam que por serem naturais e caseiras, as misturas com ervas, folhas e óleos não trazem nenhum malefício independente de sua dosegem, o que se prova incorreto já que qualquer substância consumida em excesso pode levar a intoxicação ou mesmo overdose - ocasionando o óbito. Outro fator importante é a procedência e manejo do produto, que muitas vezes não é questionada no ato da compra, o que acaba gerando muitos problemas, pois se o solo onde os ingredientes foram cultivado ou os materias utilizados para processa-los estiverem contaminados pode-se desenvolver intolerância ou alergias mais graves.

Em suma, independente de qual for a opção utilizada, produto industrializado ou não, todos devem atentar-se aos perigos da automedicação. Então, com o propósito de desenvolver, na sociedade brasileira como um todo, uma cultura de prudência e consciência na hora de se automedicar, o Legislativo deve revisar o papel dos serviços farmacêuticos ao vender seus produtos, para que, ao sair da loja, o consumidor esteja totalmente ciente da função e das precauções que ele deve tomar ao utilizar o medicamento. Além disso, é necessário que ocorra, aplicando verba pública, uma parceria entre o Ministério da Saúde com os principais canais de informação, como a TV e o rádio,  para que divulgue-se propagandas e mensagens sobre o que fazer antes e depois de comprar remédios caseiros em feiras.