Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/06/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar os perigos da automedicação para a saúde do brasileiro, contasta-se que esse direito não tem sido pragmaticamente assegurado na prática. Com efeito, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a insuficiência legislativa como pilares da chaga.

Em primeira análise, torna-se evidente a influência do fator sociocultural. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o pensador Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido, a proposta do sociólogo pode ser aplicada quando se analisa o quão natural é tratada a automedicação, ato o qual coopera para o comprometimento da eficácia de tratamentos ao facilitar o aumento da resistência de microrganismos, uma vez que sua utilização inadequada pode esconder determinados sintomas. Destarte, é inadmissível que essa questão ainda perdure.

Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia das leis corrobora a persistência da vicissitude. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna aos cidadãos. Nessa lógica, a conjuntura vigente contrasta o ideal aristotélico, posto que existe a questão da impunidade em relação aos farmacêuticos os quais fornecem substâncias com a ausência de receita médica. Assim, é inaceitável que isso seja negligenciado.

Portanto, infere-se que o imbróglio abordado necessita ser solucionado. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com profissionais especialistas nessa área, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal, em parceira com as emissoras de televisão. Em adição, é necessário que os Poderes Legislativo e Judiciário, por meio de reuniões e julgamentos, criem leis que punirão pessoas responsáveis pela entrega de remédios sem comprovação de indicação profissional e as julgem de forma adequada. Feitos esses pontos, com a visão crítica de Durkheim e a justiça de Aristóteles, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.