Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura aos cidadãos os direitos à saúde e à segurança. Todavia, no que tange à situação da automedicação, tema em debate no século XXI, tais máximas da Carta Magna não são legitimadas. Esse fato é propiciado, ora pela falta de fiscalizações nos centros farmacêuticos, ora pelo incentivo visto nas propagandas medicamentosas passadas nas mídias.
Em verdade, a precariedade existente nas farmácias, tanto nos sistemas de compra, quanto nas inspeções, proporciona que a venda descontrolada e sem orientação médica seja fomentada, acarretando, a longo prazo, complicações na saúde dos consumidores. Sob esse viés, na série americana “Grey’s Anatomy”, em um dos episódios, é tratado um quadro clínico de um paciente que, ao ser atendido, é transferido para uma cirurgia de intervenção imediata, com risco de morte, por ele ter usado, de forma exacerbada, paliativos sem prescrição, que ao diminuirem as dores, o fizeram se dispersar da real dimensão de seu problema. Da mesma forma, os indivíduos utilizam medicamentos apenas com o conhecimento próprio, o que, não só pode agravar o estado de saúde, bem como pode causar dependência química, aliviando o vício, mas perdendo o efeito real para o qual foi fabricado. Assim, é imprescindível que haja medidas fiscalizadoras mais severas nos setores farmacológicos.
Outrossim, é possível observar, nas redes móveis e televisivas, constantes anúncios de remédios, corroborando a problemática. Nessa perspectiva, quando Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, afirma que o homem toma os limites do seu próprio campo de visão como os limites do mundo, ele correlaciona com o motivo pelo qual a divulgação de medicamentos em espaços de grande alcance é agravante. Nesse hiato, ao ser exposto à publicidade, cresce, na maioria da vezes, nos indivíduos, a sensação de que não é necessário o aconselhamento médico para que o paliativo seja tomado, visto que a inforrmação de que se ao persistir os sintomas deve-se procurar um centro de sáude é dada de maneira rápida, passando, muitas vezes, despercebida.
Destarte, com o intuito de mitigar os entraves supracitados, é mister que o Governo, por meio de subsídios tributários, crie e torne obrigatório um sistema que deixe salvo todo medicamento comprado por cada indivíduo, interligando suas informações com as farmácias dos setores privados e públicos, além de investir em inspeções mensais, por município, fazendo a proibição da compra sem prescrição, caso o sistema note o seu uso exacerbado, a fim de atenuar a automedicação. Ademais, é impreterível que os anúncios de remédios sejam acompanhados, pedagogicamente, de alertas sobre os perigos de se tomar paliativos sem orientação profissional.