Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
Consoante a visão do filófoso Aristóteles, a ciência política se sobressai em relação as outras, estando ela para o exercício do bem coletivo. Entretanto, no limiar do século XXI, esse pensamento não condiz com a realidade de várias nações do mundo, inclusive o Brasil, uma vez que a automedicação está presente de maneira alarmante no dia-a-dia da população. Nesse contexto, deve-se analisar, de uma maneira aprofundada, esse hábito que tanto prejudica a saúde das pessoas.
Em primeira análise, é cabível ressaltar a naturalização da automedicação, fazendo com que ela se torne uma prática mais corriqueira. De acordo com a teoria Habitus, elaborada pelo sociólogo Pierre Bourdieu, as pessoas são influenciadas pelos hábitos que estão enraizados na sociedade. Sob essa visão, é de perfeita compreensão, a expansão desenfreada da automedicação, posto que vive-se na quarta revolução industrial, e com a inovação de novas tecnologias fica mais acessível e democratizado o acesso à sapiência, facilitando o autodiagnóstico, por meio do site de pesquisas Google. Prova disso, é segundo o Jornal O Globo, a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros. Dessa maneira, percebe-se que a “solução” a curto prazo, é a mais comum, dado que as pessoas conseguem pesquisar pela internet que remédios usarem, e com a gama de medicamentos disponíveis, sem precisar do uso de receitas, facilita a disseminação desse costume que afeta o bem-estar de todos.
Soma-se a isso, a fragilidade nas políticas públicas no que que concerne ao amplo acesso a vários tipos de remédios. Conforme a óptica do contratualista John Locke, o indivíduo cede parte da liberdade individual ao Estado, para que este possa garantir o cumprimento dos direitos coletivos. Porém, não é isso que está acontecendo, visto que com a falta de rigor das fiscalizações em farmácias, torna-se mais fácil o uso indiscriminado de medicamentos, haja vista que, remédios potencialmente perigosos, para cada grupo de pessoas, são vendidos sem o uso de receita médica e sem o acompanhamento necessário, afetando, portanto, a saúde das pessoas que fazem o uso dessa prática, uma vez que podem surgir graves efeitos colaterais, além da possibilidade de agravar o quadro de saúde.
Logo, entende-se que essa problemática urge por medidas interventivas, pois fere com o bem-estar da população. Dessa forma, é dever do Ministério da Educação, em parceria com a mídia, valorizar o âmbito estudantil, como forma de ensinar não só os educandos, mas a sociedade em geral, de como automedicação é prejudicial e os motivos de não usá-la, por meio de palestras, campanhas e propagandas televisivas mais eficientes e que atinja o máximo de pessoas possível. Por sua vez, cabe ao Estado, ampliar as fiscalizações, visando atenuar o consumo desenfreado de medicamentos sem prescrição médica. Assim, é possível alcançar uma sociedade como pautava Aristóteles.