Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/06/2021

É certo que a pandemia da COVID-19 trouxe à tona uma discussão latente no século XXI - automedicação -, que já enraizou-se no Brasil. Frente à tantos debates, vale-se salientar que o consumo de medicamentos por conta prória, por muitas vezes é benéfico e salutar, sendo o seu contraponto gerador de problemas, a utilização imprudente e irrestrita.

Posto isso, faz-se válido destacar que a automedicação é uma demonstração de autocuidado e uma alternativa viável para as necessidades da população brasileira. De fato, a OMS considera a utilização responsável de certos fármacos como um complemento dos sistemas de saúde pública, visto que tal atitude contribui para o viés economico e administrativo do mesmo. Dessa forma, perante a sobrecarga do SUS, principalmente no momento pandêmico hodierno, a prática da automedicação torna-se ainda mais presente mais válida na vida dos brasileiros.

Entretanto, os benefícios da automedicação, “perdem seu valor na balança”, quando se comparado aos malefícios que o uso indevido e não orientado de tal ação podem trazer. Nesse contexto, percebe-se que a “satis” das prerrogativas do uso de remédios de maneira não supervisionada é reflexo de uma sociedade marcada pela Ditadura da Felicidade - necessidade de apresentar-se feliz e perfeitamente satisfeito e produtivo, mesmo sem estar - apresentada pela escritora Eva Illous, e intensificada pela mercantilização da saúde por parte da mídia, que se utiliza da Lei Federal 9294/96, a qual permite a realização de propagandas voltadas para medicamentos, como meio de lucro. Assim, com a facilidade de compra e incentivo irrestrito, obtêm-se uma busca implacável e muitas vezes irracional, por parte dos brasileiros, da celeridade de resolução de suas enfermidades por meio da automedicação.

Faz-se necessário, portanto que medidas sejam tomadas para mitigar os efeitos negativos da automedicação e alavancar seus efeitos positivos. Dessa forma, cabe ao Ministério da Sáude em parceria com a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - desenvolver mecanismos que fortaleçam a farmacovigilância em todo território nacional. Ademais, é função também dos orgãos ja supracitados em conjunto com o Poder Executivo tornar as propagandas relacionadas a substâncias farmacológicas mais enfáticas e conscientizantes sobre os riscos que o uso não orientado dos mesmos podem trazer, através do desenvolvimento de uma PEC sobre a Lei 9294/96, a fim de que os debates tão presentes no período pandêmico, sobre a automedicação sejam solucionados e se possa usufruir plenamente de todos os benefícios que essa prática possa oferecer a população brasileira.