Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
“Take Your Pills” é um documentário produzido pela Netflix que mostra os jovens dos Estados Unidos abusando de medicamentos em prol de melhor desempenho cognitivo. Hoje, assim como mostrado na obra cinematográfica, é possível observar, no Brasil, o intenso uso de medicamentos, mas ao contrário dos estadunidenses, para curar males -como enxaqueca-, os quais poderiam ser previnidos. A partir desse contexto, faz-se necessário discurtir o que motiva a automedicação entre os brasileiros e a principal consequência de tal ação em pleno século XXI.
Para entender o que impulsiona a automedicação, deve-se perceber a falta de atendimento médico imediato e de qualidade para a saúde da família. Isso acontece, sem dúvida, porque há uma negligência governamental, a qual busca agir em prol do retorno lucrativo proporcionado pela manutenção do poder das elites, economicamente, dominantes mesmo que não gere o bem-estar coletivo, ou seja, prejudique a parcela da população que vive na periferia do capitalismo. Dessa forma, ao tomar como base a ideia de Lilia Schwarcz, para quem o patrimonialismo é um entrave para o alcance da efetiva democracia no país, evidencia-se que, embora o acesso à saúde seja um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal de 1988, os cidadão não usufruem disso a ponto de buscar ajuda a terceiros sobre qual o melhor remédio para se curar.
Nota-se, ainda, por conseguinte a piora da doença e, até mesmo, o aparecimento de novas. Tal questão ocorre, muitas vezes, pois o indivíduo ingere o medicamento, aparentemente, destinado para o problema dele, porém não surte o efeito desejado, visto que buscou-se cuidar apenas dos sintomas, e não da raiz do problema. Prova disso, é o Brasil possuir, segundo a OMS, 30 milhões de pessoas sofrendo com enxaqueca -possui relação direta com o estilo de vida do portador- enquanto a maior parte da população trata-se mediante propaganda na televisão e na internet, em vez de alterar o modo de viver em busca de uma alimentação mais saúdavel, uma prática regular de exercícios, por exemplo. Logo, os cidadãos nem conseguem a tão desejada cura e, ainda, pagam para prejudicar a própria saúde.
Portanto, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Saúde, desencorage a automedicação, a fim de evitar o agravamento do estado de saúde dos brasileiros. Essa ação pode ser feita por meio de postagens nas redes sociais oficais do ministério, mas também de propagandas televisivas informando os males acometidos pelas pessoas que se medicam constantemente sem supervisão médica. Além disso, é preciso que, nos 5570 municípios, as Unidades Básicas de Saúde atuem mais intensamente na atenção básica da população, que seriam os primeiros cuidados para tratar uma simples doença e até mesmo previní-la.