Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/06/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), promulgada pela ONU, em 1948, apresenta direitos universais e inalienáveis, como o direito à saúde. Entretanto, a questão da automedicação é uma problemática que pode gerar efeitos nocivos para saúde dos indivíduos e aumentar a demanda do sistema de saúde local. Isso se deve, sobretudo, a proliferação de notícias inverídicas sobre determinadas doenças e medicamentos e à facilidade com que se pode comprar remédios sem a prescrição médica.

Sob esse viés, é fundamental salientar que a circulação de notícias falsas sobre medicametos, que geralmente prometem uma cura milagrosa ou uma medida profilática perfeita,  podem aumentar o seu consumo e prejudicar a saúde dos indivíduos. É pertinente evidenciar que, na contemporaneidade, durante a pandemia viral de Covid-19, no Brasil surgiu uma grande quantidade de  ‘‘fake news’’ sobre a suposta eficácia de medicamentos, hidrocloroquia e ivermectina, no tratamento dessa enfermidade. Nesse sentido, muitos brasileiros foram induzidos a fazerem uso da medicação sem orientação médica o que, por sua vez, gerou consequências graves para a saúde dos cidadãos, como a sobrecarga hepática, levando-os a um estado clínico crítico, e aumentando a demanda do sistema de saúde. Desse modo, é condição ‘‘sine qua non’’ que haja campanhas que destaquem o perigo da automedicação.

Ademais, é válido destacar que a facilidade com que é possível comprar medicamentos tarjados sem a precrição de um profissional habilitado também impulsiona a automedicação e seus efeitos maléficos. A título de exemplificação, a trama ‘‘Pretty Litlle Liars’’ destaca a vida da personagem Spencer Hastings, que faz uso indiscriminado de medicamentos fortes para potencializar sua capacidade cognitiva, e mostra de maneira clara como é fácil ter acesso a essse tipo de remédio. Diante disso, é possível destacar que a realidade é análoga a ficção, evidenciando, portanto, que apesar de existir uma lei que proibi a venda de medicamentos com tarjas sem a prescrição de um médico, a fiscalização é ineficaz, tornando a prática comum. Logo, é impresncindível que o Poder Público tome medidas que contenham esse crime.

Portanto, faz-se mister que o Estado monitore a movimentação de notícias falsas, identificando e punindo severamente os culpados, por meio de mais investimentos financeiros na polícia, principalmente na área de investigação cibernética, com o fito de garantir o bem-estar dos brasileiros. Outrossim, o Estado também deve promover ações de esclarecimento sobre a automedicação, através  da realização de campanhas publicitárias, a fim de concientizar a população sobre os efeitos nocivos dessa prática e, assim, promover a saúde de todos e cumprir o que está preceituado na DUDH.