Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
“Mafalda”, personagem criada pelo cartunista Quino, demonstra, ainda na infância, sua grande preocupação quanto aos cuidados com questões sociais. Entretanto, a importante lição altruísta de Mafalda está longe de se tornar real, uma vez que a automedicação tem designando um grave problema de saúde pública. Para desconstruir esse cenário nefasto, faz-se crucial mitigar não só a inoperância do Estado, como também a incompreensão do corpo social.
Sob esse viés, é fulcral analisar a postura governamental frente ao uso de medicamentos sem prescrição médica. A esse respeito, o contratualista John Locke afirma em sua teoria do “Contrato Social” que é dever da Arena Pública garantir os direitos naturais do cidadão, dentre eles, a vida. No entanto, é notório o rompimento desse contrato social em pleno século XXI, visto que, devido à negligência das autoridades em investimentos em hospitais e na capacitação de profissionais da saúde, muitas pessoas acabam se automedicando colocando em risco a própria vida. Diante disso, é indubitável que medidas sejam tomadas para mudar esse panorama.
Ademais, a falta de cuidado da população ao ingerir remédios sem indicação médica contribui para que o colapso na saúde pública seja uma danosa realidade. Para o poeta chileno Pablo Neruda, as pessoas são livres para fazer escolhas, mas são prisioneiras das consequências. Nesse viés, a ausência de informações contribui para que os indivíduos se automediquem, ocasionando diferentes efeitos colaterais, podendo até causar dependência química. Logo, enquanto as pessoas não entenderem os perigos desse ato, o uso errôneo e indiscriminado de remédios continuará a afligir a população.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir o problema discorrido. Nesse sentido, o Poder Público -importante órgão garantidor dos direitos do cidadão- deve criar cursos para profissionais da saúde por meio de workshops para melhorar o atendimento e a venda adequada de medicamentos, além de criar propagandas disseminadas pelas mídias com o intuito de informar a população sobre os riscos do automedicamento. Essas ações terão por finalidade melhorar os cuidados da saúde com a população. Assim, far-se-á jus ao zelo pelas questões sociais prezado pela personagem Mafalda.