Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/06/2021

Na série televisiva norte-americana Grey’s Anatomy, são retradas alguns casos em que há a ocorrência da automedicação por parte dos pacientes, os quais comumente são prejudicados pelas drogas farmacêuticas ingeridas com o propósito de amenizar alguns sintomas muitas vezes considerados leves. Visto isso, o contexto sociocultural brasileiro vigente apresenta, também, entre  a população, o ato da automedicação, a qual pode apresentar pontos positivos, mas expor os praticantes a sérios riscos. Portando, convém analisar a vertentes que englobam tal problemática no Brasil.

Nesse viés, é válido salientar que ao se trazer à tona o inconsitente sistema de saúde brasileiro, a autorremediação em solo nacional pode ser algo benéfico. De acordo com dados divulgados pela OMS, o percentual adequado do PIB a ser investido na saúde de cada país equivale a 6% desse, porém, no território nacional esse valor se limita em torno de 3% do Produto Interno Bruto. Nessa perspectiva, nota-se que o SUS apesar de ser um grande beneficiador popular não apresenta infraestrutura suficiente para a demanda requerida no Brasil em tal setor, tornando-se, assim, aceitável que as pessoas com problemas de saúde que não apresentem riscos à vida se automediquem com remédios sem tarja que podem ser vendidos sem receita médica, pois, dessa maneira, ocorrerá um menor congestionamento nos hospitais e nas unidades básicas de saúde, logo, será possível haver um melhor atendimento aos demais carentes de auxílio médico.

Ademais, vale ressaltar que o hábito de parte da população de tomar medicamentos por conta própria pode se apresentar prejudicial, pois muitos não tem o conhecimento de como se automedicar de forma consciente. Segundo filósofo grego Paracelso, todo remédio é um veneno, o que difere é a dose, portanto, é possível inferir que o consumo desses desregradamente podem acarretar em maléficios na vida dos que os ingerem. Nesse âmbito, destaca-se que os efeitos colaterais como a dependência de fármacos químicos, os danos aos órgãos e até mesmo a morte são riscos, os quais as pessoas que não moderam e não adquirem conhecimento ao se automedicar estão expostas.

Frente a esse panorama, é mister a execução de ações que visem minimizar os impactos negativos da automedicação no cenário brasileiro. Diante disso cabe ao Primeiro Setor ampliar os investimentos no SUS, a fim de que o atendimento médico seja disponibilizado para o maior número de pessoas e essas não necessitem se medicar sem informações de base científica. Outrossim, convém ainda ao Estado fornecer meios de acesso ao público sobre instruções de como e quando se é recomendado a automedicação, no intuito de que efeitos colaterais desnecessários seja reduzidos. Isso deve ser feito por meio das mídias digitais pois essas atingem, diariamente, uma vasta parte da população.