Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
A Carta Magna de 88 sintetiza, em seu artigo 196, que a saúde é direito de todo cidadão e é dever do Estado garantir isso com políticas sociais que visem a diminuição dos riscos e de outros agravos. Entretanto, a problemática relacionada a automedicação não é debatida da forma necessária na atualidade. Esse costume representaum risco para a saúde nacional, pois é causador de inúmeras mortes por intoxicação, além de trazer a falsa sensação de melhora para o usuário do medicamento, e, também, a falta de atuação governamental com a intenção de diminuir esse costume auxilia na perpetuação desse. Logo, deve-se ao Estado buscar estratégias que assegurem de fato a saúde geral.
Além de poder causar alergias e a dependência do medicamento, a automedicação é responsável por promover uma falsa sensação de cura, pois, em alguns casos, ao sentir um alivio nos sintomas o indivíduo deixa de buscar auxílio médico, fato que o deixa a mercê do problema que pode vir a aumentar. Nesse contexto, pode-se observar na série “Dr. House”, da Netflix, onde o protagonista faz uso do medicamento Virodin, que atua contra dores, e esse uso constante o faz dependente da droga. Além do vício, o problema do protagonista continua, pois o mesmo tem a aparente sensação de estar curado. Dessa forma, é possível perceber que esse costume errôneo atua de forma negativa na manutenção do dever do Estado em manter a população livre dos riscos à saúde.
Por ser um fato social, é uma ação que é repetida por toda a sociedade, e sob essa ótica, o Estado deve agir de forma a coibir a continuação desse fator. Nesse sentido, é possível salientar pesquisas realizadas pela Datafolha, onde explicita que quase 80% da população faz uso inadequado de medicamentos sem prescrição, e pela Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas, que mostrou que mais de 20 mil pessoas morrem por ano em decorrência desse fato. Logo, nota-se que há a extrema necessidade de conter o avanço desse hábito, e essa ação é dever do Estado para manter-se coerente com a Constituição atuante, sob a ótica que não há a discussão necessária sobre o tema.
Portanto, considerando os fatos supracitados, nota-se a carência de ações que contenham a continuidade desse costume tão presente na sociedade. Primeiramente, o Ministério da Educação deve, por meio das escolas-âmbitos incumbidos de formar moral e intelectualmente os jovens-, fornecer aulas e palestras que tratem de forma mais abrangente sobre os riscos da automedicação, para, com isso, evitar que os jovens absorvam e perpetuem essa prática futuramente. Em segundo plano, a mídia-por ter grande poder sobre a opinião popular-deve, por meio de propagandas, difundir os impactos do uso de medicamentos sem prescrição médica. Assim, a nação estaria mais próxima de acabar com esse costume e o direito à saúde seria assegurado de forma mais coerente.