Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
Consoante à História, constituia-se como elemento da cultura indígena o uso de ervas medicinais - a exemplo de chás - para o tratamento de doenças, visto que, à época, não o havia desenvolvimento da farmacologia como ciência fundamental.Como consequência direta desse estilo de vida primitivo, o Brasil possui, hoje, uma das maiores taxas de automedicação do mundo, uma vez que, devido à democratização do acesso a medicamentos, o cidadão, detentor desses, utiliza-os de forma errônea, fato que, infelizmente, ocasiona a mazela comumente conhecida como resistência antibiótica.
De fato, a facilidade de acesso a fármacos - sobretudo no que tange às classes sociais mais baixas - agiu como fator de estímulo ao crescimento da automedicação no país.Partindo desse pressuposto, cita-se a política de medicamentos genéricos - adotada em 1999 pelo Governo Federal - a qual, a partir da redução do preço de químicos, como antivirais, tornou o acesso a esses mais democrático, fazendo com que boa parte da população brasileira usufruisse do tratamento barato e de qualidade.No entanto, como consequência dessa flexibilização, houve o aumento da automedicação no país, uma vez os cidadãos, sem consultar profissionais da saúde especializados, fazem o uso dessas drogas de modo indiscriminado, causando, assim, elevados riscos à saúde, visto que todas essas substâncias possuem, além de efeitos colaterais, diversas contraindicações.Infere-se, portanto, que a facilitação do acesso a medicamentos, no Brasil, ampliou, lamentavelmente, as taxas de ingestão farmacológica irresponsável.
Além disso, cumpre ressaltar que a automedicação é a causa principal de um do maiores dilemas da medicina pós-moderna: a resistência antimicrobiana.Em face disso, cita-se que, segundo a Organização Mundial da Saúde, o consumo dessas drogas torna o organismo humano mais inábil ao combate de diversas doenças, uma vez que os fármacos atuam de modo a selecionar os patógenos mais virulentos, causando uma maior complexidade do quadro clínico, visto que, organismos causadores de doenças, como o tétano, tornam-se mais potentes, enfraquecendo, assim, o poder curativo dos medicamentos.Depreende-se, então, que a automedicação acarreta prejuízos à saúde pública nacional.
Evidencia-se, logo, que o Ministério da Saúde deve criar, em todas as Unidades de Atenção Básica, um evento semestral em que farmacêuticos, médicos e enfermeiros, através da visitação domiciliar e de reuniões em locais públicos - como praças e postos de saúde - abordem a temática ‘‘Automedicação’’ para a população local.Nesses momentos de ensino didático, tais profissionais devem esclarecer dúvidas acerca dos perigos dessa prática e, por meio do contato maior com os pacientes, fornecer à população a informação de que o uso de químicos devem ser feitos somente por meio da prescrição médica.Assim, os problemas de saúde pública causados pela automedicação serão atenuados.