Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
Na série “Orphan Black”, retrata-se em algumas cenas a vida de Beth, uma policial que frequentemente abusa dos remédios para fugir dos problemas. De forma análoga à ficção, a automedicação, no contexto social brasileiro, é presente na vida de muitos cidadãos, o que acarreta consequências drásticas à saúde destes. Dito isso, é crucial uma análise de fatores políticos e sociais com o fito de minorar essa problemática.
De fato, é irrefutável que o consumo desenfreado e, muitas vezes, sem autorização médica de remédios decorre de uma falha estatal. Sob esse viés, é válido ressaltar que o Governo, responsável pelo bem-estar de sua população, deve garantir o direito de todos à saúde, como previsto na Constituição Cidadã. Todavia, quando se percebe o crescimento do número de pessoas que se automedicam, nota-se que o preceito constitucional não é plenamente cumprido, visto que muitos ainda conseguem comprar remédios sem prescrição, os colocando em risco. Prova cabível dessa vertente, são os dados da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas, que apontam cerca de 20 mil mortes anuais no país decorrentes da automedicação.
Ademais, a displicência por parte do corpo social também é indispensável na discussão. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, a sociedade tende a naturalizar posturas errôneas e arcaicas e a reproduzi-las. Seguindo essa linda de pensamento, é importante destacar que muitas famílias brasileiras, de todas as épocas, são habituadas a incentivar o uso de medicamentos no ambiente doméstico, tendo em vista que sintomas leves, como dor de cabeça, já possuem “um remédio apropriado” para isso. Contudo, esse pensamento equivocado ocasiona efeitos negativos para as pessoas que desconhecem sua compatibilidade com certos remédios, o que contraria aqueles que as aconselharam erroneamente, confirmando o pensamento de Bordieu.
Destarte, é dever do Governo realizar uma maior supervisão dos remédios vendidos nas farmácias, por meio da contratração de profissionais da saúde que fiscalizem a venda correta dos medicamentos, requisitando a prescrição médica dos mesmos, com o fito de garantir a saúde dos pacientes. Paralelamente, cabe à sociedade a realização de palestras e de debates acerca da importância da procura de um clínico na medicação correta, com o fito de instruir a população a um caminho saudável. Assim, será possível reverter o cenário retratado na série Orphan Black.