Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/06/2021

A automedicação tornou-se hábito na vida de um percentual considerável de brasileiros. Devido à inexistência de serviços e de políticas públicas que permitem e que incentivem a busca de profissionais qualificados, muitos cidadãos confiam no próprio julgamento e o validam por meio de opiniões de pessoas próximas a si que não tem formação para tratar do assunto. Tal linha de raciocínio demonstra ser perigosa, pois está provocando um aumento gradual no número de mortos por exercer essa prática, denotando a necessidade de tomar medidas para mitigar o crescimento desse cenário.

O baixo investimento público em relação ao PIB no setor da saúde — cerca de 4% — resulta no sucateamento do Serviço Único de Saúde — serviço esse utilizado por 150 milhões de brasileiros, cerca de 80% da população —, afetando diretamente a expansão e a melhoria da infraestrutura utilizada pelos cidadãos, além de desfalcar as políticas de conscientização acerca dos efeitos negativos da prática indiscriminada da automedicação. Tal negligência política gera cenários de infortúnios coletivos graves, elevando o grau de complexidade da solução, especialmente em momentos de crises sanitárias, como epidemias e pandemias. Torna-se imperativo permitir que o campo da saúde pública seja mais técnica e eficiente e menos política e fisiológica.