Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/06/2021

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Contudo, no Brasil isso não ocorre, visto que, em pleno século XXI, a automedicação ainda é uma realidade em debate. Essa problemática, é decorrente, principalmente, da facilidade do acesso à medicação e da lentidão e  burocracia nos processos do Brasil.

Antes de tudo, deve-se ressaltar como fator para esse impasse os cortes orçamentários adotados nos últimos anos, como exemplo, a redução do repasse de verbas para o setor de fiscalização. Nesse sentido, devido a essa austeridade econômica, órgãos como o Conselho Regional de Farmácia (CRF) estão debilitados, não conseguindo atender a alta demanda de usuários dos seus objetivos, conforme pode ser observado na pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), onde mostra que mais de 70% da população faz uso de medicamentos sem prescrição médica ou farmacêutica. Portanto, torna-se notório a falta de fiscalização, o que, infelizmente, é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o retardo dos trâmites administrativos como motor do problema. Sendo assim, medidas necessárias para o debate da automedicação acabam não sendo tomadas no devido momento, de maneira que a União pouco investe em planejamentos educacionais que enaltecem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a sociedade, tal como suas objetividades, que abrangem desde o controle e fiscalização dos medicamentos até o fechamento de locais que violem a legislação ou ofereçam risco à saúde. Assim, por desinformação, a população não cobra, de modo amplo, das entidades públicas, maior atenção a essa pasta que se faz tão necessária à dignidade humana.

Diante disso, para que o país se torne mais “articulado” como um “corpo biológico”, é mister que o Governo Federal melhor distribua o orçamento destinado à fiscalização, por meio de cortes em verbas supérfluas - para serem redirecionadas ao CRF de cada estado - a fim de ofertar maior qualidade de monitoramento aos seus dependentes. Paralelamente, é dever do Ministério das Comunicações promover uma sensibilização da população, recorrendo às redes sociais - com textos de caráter educativo - ressaltando a necessidade de manutenção da Anvisa e de todo o seu aparato. Logo, será possível a afirmação de uma sociedade saudável, democratizando e enaltecendo o quadro brasileiro de fiscalização.