Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
No início do século XX, a descoberta da penicilina na Inglaterra representou um marco na ascensão da era moderna dos antibióticos. Todavia, apesar do seu caráter revolucionário, a administração dessas substâncias deve ser controlada, ao contrário do que é constatado no cenário brasileiro hodierno, visto que a automedicação é uma prática comum. Nesse sentido, faz-se necessária a análise causal da essência imediatista da pós-modernidade como impulsionadora de possíveis consequências adversas na área da saúde.
A princípio, é relevante pontuar a irresponsabilidade alarmante no atual manejo de medicamentos. Sob esse âmbito, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer defende, em suas obras, que a dimensão das vontades humanas é insaciável. Nessa perspectiva, a urgência do alívio imediato de inconvênios corporais, aliada ao desejo de uma cura rápida, resulta na aquisição de remédios sem prescrição médica. Destarte, pela carência do discernimento necessário, a precisão da dosagem e do período ministrado é comprometida, assim como a integridade fisiológica do enfermo que, na maioria das vezes, apresenta sintomas considerados amenos e, ainda, primários.
Posteriormente, como reflexo desse contínuo descaso, emerge a potencialização de complicações clínicas. Por essa óptica, a desregulação no consumo de drogas farmacêuticas acarreta o desenvolvimento de uma resistência antibiótica denominada “superbactéria”. Posto isso, tal anomalia biológica apresenta mecanismos que impedem a sua contenção por medicamentos comuns, haja vista o prévio contato do antígeno com os remédios utilizados pelos pacientes. Por conseguinte, além de provocar o provável agravamento do quadro do enfermo em questão, denota-se que essa imprudência individual compromete o bem-estar coletivo, uma vez que a proliferação de infecções hospitalares originadas pela evolução bacteriana é uma via plausível.
Diante disso, a promoção do consumo prudente de fármacos é primordial. Assim, urge que o Estado, por meio das mídias televisivas e das redes sociais, intensifique a as campanhas educativas voltadas ao uso assertivo de medicamentos. Nesses anúncios, serão encenadas situções-problema corriqueiras, a exemplo da ingestão de um fármaco forte para um simples desconforto estomacal, associadas aos nefastos perigos da negligência que esses atos representam. a fim de que, com o reconhecimento da gravidade da problemática, a população seja sensibilizada. Ademais, é imprescindível que as drogarias de todo o país disponham de encartes informativos fixados, de modo a reforçar, para o consumidor, a extrema importância da venda de antibióticos apenas sob uma recomendação profissional.