Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
Sob a égide do filósofo grego Platão, a máxima da conduta humana deveria residir na busca pelo viver bem, expressando progressivamente a necessidade de cuidar da saúde. Entretanto, no convívio social brasileiro, tal lógica não parece consubstanciar a mentalidade de uma significativa parcela da população, uma vez que a cultura da automedicação é amplamente enraizada nas práticas sociais, tendo suas implicações desconsideradas. Essa situação nefasta é oriunda da inexpressividade da administração pública e da displicência de instituições formadoras de opinião no enfrentamento desse compooetamento no País.
Efetivamente, o Estado tem sido ineficaz em desestimular a utilização de fármacos sem prescrição médica, o que representa um problema de saúde pública. Essa ineficiência encontra justificativa no reduzido alcance e no quantitativo deficitário de informes elucidativos capazes de explicitar para a população as consequências dessa prática. Consequentemente, percebe-se a naturalização de uma cultura de automedicação, cujas implicações podem resultar em lesões renais e até na seleção de bactérias resistentes. Desse modo, tal inexpressividade política, além de contrariar o artigo 196 da Constituição Federal, que atribui ao poder público o dever de garantir a saúde da população, atesta que o papel informativo estatal tem sido insatisfatório no Brasil.
Ademais, salienta-se a prática da automedicação está cristalizada no cotidiano da sociedade. Isso está intrinsecamente relacionado a uma visão deturpada da desvalorização da ciência e de elaboração dos conhecimentos a partir do senso comum, realidade pouco combatida e até incentivada por personalidades políticas negligentes. Nessa perspectiva, tal circunstância dialoga, na prática, com o pensamento filosófico de Edgard Morin, o qual afirmava que “A forma como produzimos conhecimento também produz ignorância”, haja vista que, em face da desinformação ou da explícita deficiência do senso crítico, parte da mídia, das famílias e das instituições educacionais apresentam uma postura displicente em relação à indicação de medicamentos sem acompanhamento profissional entre os indivíduos. Diante desse contexto, torna-se salutar uma postura mais incisiva dos espectros sociais em prol de mitigar esse comportamento.
Portanto, a fim de combater o uso de fármacos sem recomendação especializada e, assim, contribuir para a garantia da saúde da população brasileira, compete ao Ministério da Saúde ampliar o acesso à informação por parte da sociedade, mediante campanhas educativas realizadas nas redes sociais e nos espaços públicos, as quais sejam capazes de explicitar os prejuízos da automedicação, além da criação de aplicativos digitais com dados relevantes sobre o tema