Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 18/06/2021
No livro “It a Coisa”, do autor Stephen King, o personagem Eddie tem seus remédios receitados pela mãe, que esconde suas verdadeiras intenções. De maneira análoga, na atual conjuntura social brasileira, milhões de pessoas praticam a automedicação, sem a presença de um profissional da área. Dentre os fatores que evidenciam essa problemática é possível citar a ineficiência de políticas públicas voltadas à democratização do acesso à saúde. Além disso, a interferência familiar corrobora o agravamento do cenário descrito. Portanto, urgem políticas públicas para amenizar esse preocupante quadro.
De acordo com a realidade supracitada, é relevante ressaltar, de início, que há negligência das ações do Poder Público no que se refere à saúde. Consoante ao pensamento aristotélico, presente na obra “Ética a Nicômaco”, é dever do governo garantir a integridade social. Contudo, percebe-se que essa vertente não transcende o postulado filosófico, uma vez que o Estado é falho e boa parte da população se automedica, pois o custo de uma consulta médica é muito cara, ou seja, inacessível para a maioria dos brasileiros que optam por usar medicamento sem a prescrição de um médico. Em virtude disso, é inaceitável que essa questão ainda perdure, uma vez que o uso de medicações sem controle pode causar diversas sequelas ou até mesmo a morte.
É imprescindível pontuar, ainda, que a família receitar medicamentos é outro aspecto preocupante. Nesse contexto, a realidade apresentada pode ser comprovada pela teoria presente na obra “Consequências da Modernidade”, do sociólogo Anthonny Giddens, cujo conceito revela uma sociedade moldada por valores duvidosos. Segundo essa linha de raciocínio, a família prescrever um medicamento, sem nenhum embasamento científico, é um valor duvidoso, haja vista que muitas vezes esse medicamento não tem relação alguma com a doença, e pode agravar o quadro. Sendo assim, infelizmente, essa problemática se torna cada vez mais preocupante, já que essa indicação pode trazer danos à saúde do doente.
Destarte, após observar a realidade apresentada, são improrrogáveis ações governamentais. Nesse sentido, o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, órgão responsável pela saúde pública, deve redefinir as políticas públicas. Essa ação será realizada por meio da ampliação do alcance do SUS (Sistema Único de Saúde), com o aumento do número de médicos e enfermeiros disponíveis em tempo integral, de graça, para a população, com a finalidade de diminuir a automedicação e a prescrição de remédios por familiares. Dessa forma, problemas como o de Eddie serão amenizados.