Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 22/07/2021
A Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 1988, assegura em seu artigo 6º o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se nota a questão da automedicação em debate no século XXI, dificultando, dessa forma, a universalização desse direito tão importante. Sob esse viés, faz-se necessário analisar a negligência governamental e a banalização da automedicação como fatores agravantes do quadro.
Em primeira instância, é fundamental apontar que a negligência estatal faz com que o problema da automedicação seja impossibilitado de ser resolvido. Esse fato fica claro quando se observa as filas de espera para atendimento em um hospital público, fazendo com que, por consequência, as pessoas que necessitam de uma solução rápida para seu problema, optem por se automedicar. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo iluminista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre com a sua função de garantir que os indivíduos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.
Além disso, percebe-se que a banalização do imbróglio também dificulta sua resolução. Consoante a filósofa francesa Simone de Beauvoir: “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Tal afirmativa fica irrefutável quando se pensa que cada vez mais pessoas se medicam sem prescrição médica, baseando-se no senso comum ou no que as redes dizem que funciona. Ademais, é de conhecimento científico que o uso indevido de medicamentos pode piorar o quadro do paciente, principalmente quando se trata de antibióticos, já que se administrados de maneira incorreta, causam a seleção de bactérias mais resistentes. Desse modo, entende-se essa questão como uma problemática cuja resolução deve ser de imediato.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para combater tais obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Saúde, órgão responsável pela organização de planos e políticas públicas voltados para a saúde da população, crie, por intermédio dos impostos recebidos, hospitais públicos para aumentar a quantidade de vagas disponíveis no SUS - sistema público de saúde brasileiro -, a fim de diminuir as pessoas em espera de atendimento, e consequentemente, o problema de automedicação. Dessa forma se consolidará uma sociedade mais saudável, na qual o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, assim como afirma John Locke.